Um prêmio para a má administração


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Ao mesmo tempo em que o trabalhador brasileiro vê seu orçamento a cada dia mais apertado, tendo que trabalhar cinco meses no ano só para o pagamento de impostos (e aqui no Brasil eles são muitos e pesados), o governo federal deu perdão de pelo menos R$ 579 milhões em dívidas fiscais para os grandes clubes brasileiros no programa Profut. Mas o número é superior a isso já que algumas agremiações não declararam qual foi o desconto obtido ao aderir ao projeto. Pelas condições do programa, houve redução de 70% das multas, 40% dos juros e 100% dos encargos legais. Mais do que isso: as parcelas a serem pagas pelos clubes caíram consideravelmente.
 
O maior desconto foi dado para o Botafogo em um total de R$ 146 milhões. Foi seguido pelo Vasco com R$ 113,5 milhões e pelo Flamengo com R$ 91 milhões. Todos esses valores proporcionaram superávits aos clubes. O Atlético-MG teve um perdão de R$ 26 milhões, mas já tinha obtido um desconto anterior de R$ 76 milhões. São desses quatro as maiores dívidas fiscais. Este é o retrato do ‘país da bola’, já que o Profut foi aprovado pelo Congresso e sancionado pela presidente Dilma Rousseff (PT), num verdadeiro prêmio a administrações consideradas amadoras na gestão destes clubes de futebol. Não há qualquer medida que beneficie o trabalhador comum que precisa pagar seus impostos em dia, sangrando um orçamento já apertado. Nos últimos anos, o governo vem reajustando a tabela do Imposto de Renda abaixo da taxa da inflação no período, reduzindo cada vez mais o valor dos proventos anuais, aumentando o contingente de contribuintes.
 
Não se pode aceitar que os clubes de futebol, a maioria quebrada, continuem sendo beneficiados, ainda mais quando se sabe que parte do dinheiro de algumas loterias operadas pela Caixa Econômica Federal vai para os cofres das principais agremiações no Brasil. O Corinthians, para construir seu estádio, recebeu benefícios fiscais e créditos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). E agora recebe mais uma ‘bondade’. É necessário que o governo exija dos que gastem apenas o que efetivamente recebem. Os clubes arrecadam com ingressos, com programas de sócios torcedores, recebem fortunas de emissoras de TV e contam ainda com propaganda paga nos uniformes e estádios. Por isso, qualquer renúncia fiscal ou perdão de dívidas estará tirando dos brasileiros a possibilidade de terem melhores serviços públicos. Mesmo que seja paixão nacional, o futebol, assim como aconteceu com as obras da Copa do Mundo de 2014, não pode mais se sobrepor à saúde, à educação e às obras de saneamento que para milhões de brasileiros ainda é um sonho.
 
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