Prova do crime: fichas falsificadas no PS aparecem


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O médico Lavoisier Tavares de Andrade, em depoimento à CEI dos Falsários. Ele é acusado de falsificar fichas de atendimentos médicos no Pronto-socorro Municipal
O médico Lavoisier Tavares de Andrade, em depoimento à CEI dos Falsários. Ele é acusado de falsificar fichas de atendimentos médicos no Pronto-socorro Municipal

O Comércio da Franca teve acesso a cópias das fichas de atendimento que teriam sido falsificadas pelo médico Lavoisier Tavares de Andrade dentro do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Lavoisier foi contratado pelo ICV (Instituto Ciências da Vida) para prestar serviços no PS e é acusado pelo Ministério Público de comandar um esquema para fraudar plantões médicos e turbinar irregularmente os recebimentos, tanto dos profissionais quanto do próprio instituto.

As cópias dos prontuários médicos mostram como funcionava o esquema dos plantões fantasmas e desmentem a versão apresentada pela secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, que disse à Justiça, reiteradas vezes, que esses documentos não existiam.

As cópias entregues são de parte das fichas dos atendimentos feitos por Lavoisier em julho de 2014, antes mesmo de o contrato feito entre a Prefeitura e o ICV completar um mês. Nelas, o médico usa os carimbos de pelo menos outros dois profissionais, Daniel Gutierrez Felil e Reinaldo Letrinta, ambos médicos coordenadores do ICV, para simular a presença deles no pronto-socorro.

Como não havia qualquer sistema de fiscalização da presença física dos profissionais no PS e o pagamento feito pela Prefeitura ao Instituto era baseado apenas nos carimbos nas fichas de atendimento, quanto maior o número de carimbos diferentes, maior seria o repasse de dinheiro público.

Em julho de 2014, o esquema foi descoberto por servidores municipais, que afirmam ter denunciado à secretária de Saúde, Rosane Moscardini. A ela, teriam sido entregues cerca de 30 fichas falsificadas. Mas, ao contrário do esperado, nenhuma providência foi tomada. Dias depois, os mesmos servidores teriam entregado um segundo lote de fichas adulteradas à secretária. Desta vez, para se resguardarem de eventuais responsabilidades, tiraram cópias das fichas e as mantiveram em segredo.

No ano passado, em meio aos escândalos envolvendo o ICV, o caso chegou ao conhecimento do Ministério Público e da CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara. Sem ter as fichas em mãos, o promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges ingressou em novembro com uma ação judicial contra Rosane Moscardini, pedindo que ela fosse obrigada a entregar os documentos à Justiça. Ela não o fez.

Em diversos depoimentos, foi categórica em afirmar que as fichas não existiam. “Não recebi nada, fiquei sabendo pela imprensa. Eu não tive conhecimento dessas fichas. Todos os documentos que são entregues têm protocolo, todo um ritual de como entregar e eu não recebi nada”, afirmou em depoimento à CEI.

Ameaçados de novas represálias, os servidores resolveram entregar as cópias das fichas guardadas desde 2014 ao jornal e ao Ministério Público.

No início da noite de ontem, o Comércio procurou a secretária de Saúde para que ela comentasse o caso, mas Rosane não atendeu ao celular. Um e-mail também foi encaminhado à Assessoria de Comunicação da Prefeitura. Não houve resposta.
 

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