“Nasceu para ser mãe, e foi tudo para nós, toda a sua vida”
Morreu às 21h30 do dia 30 de abril, em sua casa, a senhora Terezinha Maria de Jesus, aos 81 anos. Sofria com câncer. Fez todo o tratamento com o médico José Reinaldo de Paula Tasso, que a família considera ter contribuído fortemente para que a qualidade de vida da mãe fosse a melhor possível.
Era natural de Vargem Bonita (MG), nascida em propriedade rural. Foi lavradora, e conheceu Domiro Vital Dias, com quem se casaria aos 16 anos, no trabalho do campo.
Do enlace, três filhos, Gaspar (morreu aos cinco anos, atingido por descarga elétrica atmosférica dentro de casa), Maria, viúva de Ronaldo Antônio Antonietti; e Teresinha. Dos casamentos dos filhos nasceram quatro netos (Diego, Hellen, Kelly e Davi), e um bisneto, Pedro.
“Mamãe e papai foram para Delfinópolis (MG) em busca de melhoria de vida. A gente era muito novo ainda e nossa vida, lá, continuou sendo dura. Para piorar, papai ficou com tuberculose num tempo em que essa doença matava. Foi várias vezes para tratamento em Juiz de Fora (MG). Morreu lá, e a gente só ficou sabendo tempos depois. Foi muito triste. Mamãe, que trabalhava como doméstica, nunca deixou que nada nos faltasse”, disse Maria.
Em certo tempo, vizinha da família ofereceu a Terezinha, trabalho como doméstica para irmã sua que residia em São Paulo (SP). Ela e as filhas seguiram para a capital. “A família que nos recebeu se tornou nossa amiga. Ficamos lá por alguns anos”, disse Maria. “Os cuidados de mamãe com a gente era integral. Ainda jovem e bonita, ela recebeu pedido de casamento de um homem de bem, mas não quis, preocupada em que pudesse judiar da gente”, disse a filha.
A família acabou fixando residência em Franca. Terezinha e Maria se empregaram como domésticas. Mais algum tempo e a mãe, muito bem referenciada, ganhou oportunidade de trabalho no Curtume Cubatão. Na sequência, também indicada, empregou-se em Calçados Spessoto e lá ficou até a aposentadoria.
“Nasceu para ser mãe. Educou-nos sozinha e, com ela, aprendemos o valor do trabalho para nunca dependermos de ninguém. Nunca a vimos se queixar de nada, nem de ninguém. Teve vida sofrida, primeiro, no trabalho duro da terra. Depois, quando perdeu filho para ‘um raio’. Continuou, com a doença de papai e sua morte. Finalmente, já aposentada, quando iria curtir seus netos e bisneto, adoeceu. Nunca, no entanto, a vimos reclamar. Se seu rosto demonstrasse sofrimento, nos deixava tranquilas com seu sorriso e frase predileta, ‘não é nada, vai passar’. Sei que hoje está com Deus, e vai continuar olhando por nós”, concluiu Maria.
O velório aconteceu no Regional do Jardim Aeroporto I. Lá estiveram os padres Denis e Luís, da Igreja de Sant’Anna, que conheciam sua história e foram se despedir dela. Sepultamento se deu no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras dia 1º de maio, 15 horas, com serviços da Funerária Nova Franca.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.