Mudança de cultura


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Para o crítico e historiador Alfredo Bosi, a palavra ‘cultura’ é latina. Tem origem no verbo ‘colo’, que na língua romana significava ‘eu cultivo’, conceito ligado a ‘cultura de campo’. Esse sentido perdurou até a conquistada Grécia pelos romanos. 
 
Para os gregos, a palavra que designava desenvolvimento humano era paideia, ligada ao ‘conjunto de conhecimento que se devia transmitir às crianças — paidós. Dai, Pedagogia. Como os romanos não tinham palavra que definisse paideia, traduziram por cultura, que passou de significado material para significado intelectual, moral, que significa conjunto de ideias e valores. A polissemia da palavra cultura tem, em si, dimensão do passado, dimensão cumulativa que também se projeta para o futuro.
 
Gostei da Entrevista de Domingo deste Comércio, com o juiz Fernando Gajardoni da Fonseca. Sei da sua competência profissional. Faço apenas uma ressalva. Defendo que curso de Direito deva ser feito pelo maior número possível de pessoas. Conhecimento eleva a cultura, e nem todos que cursam Direito atuam profissionalmente. Anos deste estudo agregam muitos valores. A quantidade de cursos e de advogados não são culpados pelas demandas dos que buscam a Justiça. 
 
A frase ‘temos massa faminta de advogados que precisam ser alimentados’ é forte e contraria o artigo 133 da Constituição Federal, que reconhece o advogado como função essencial à justiça. O Judiciário, para atuar, necessita do advogado, profissional qualificado que traduz os interesses da população de forma técnica e científica. 
 
Sem ele, o Judiciário presenciaria discussões sem observância do direito material e processual. Quem está faminto não são advogados, mas a população ciente de seus direitos, ciente que de não pode tê-los sem a intervenção do Judiciário, exatamente o Judiciário que não acompanha a evolução da busca por direitos e por justiça. 
 
O grande vilão da história é o próprio Estado! Tomara que a cultura da paz (conciliação e mediação) impere e, que cada vez menos, a população busque o Judiciário para resolver conflitos. 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul

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