Há alguns dias, este Comércio mostrou as condenações da ‘Operação Quilate’, a que desmantelou o contrabando de diamantes em nossa cidade. Fiquei constrangido.
Lembrei-me de entrevista que fiz para este mesmo Comércio com o francano de alto quilate José Peres Algarte, geólogo formado pela USP, passagens pela Petrobrás, DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral) e Serviço Geológico do Brasil. Na época, ele afirmava que a operação era consequência de miopia governamental.
No início dos anos 1990, ele coordenou projeto junto ao Serviço Geológico do Brasil para implantar série de polos de produção mineral no Estado de São Paulo. Por seu histórico, Franca seria polo diamantário. A ideia era agregar valor à indústria do diamante.
Ao invés de exportar pedra bruta para ser lapidada na Europa, buscava-se organizar a produção e lapidação por aqui mesmo. Entre as ações estavam a criação de cursos para formar lapidários, formalização do comércio e instalação de laboratório gemológico para analisar e certificar diamantes de todo o país.
Ainda segundo Algarte, salas do edifício Esmeralda foram alugadas para o projeto e técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) foram treinados no exterior. Nada aconteceu. Nossas autoridades preferiram outros projetos. Não perceberam as vantagens desse setor econômico. Não olharam para Nova York ou Antuérpia, onde lapidários locais geram milhões e milhões de dólares para suas comunidades, mesmos lapidários que tivemos aqui, mas nossa miopia pública e empresarial fez desaparecer.
Obviamente não defendo os condenados. Não os conheço, nem tenho procuração. Apenas lamento nossa histórica limitação para o desenvolvimento.
Diamante deveria ser indústria, não contrabando, algo que talvez seja inacessível às estratégias de governo inepto e corrupto, excessivamente voraz quando se trata dos bolsos dos cidadãos. Como dizia Claude Levy Strauss, ‘tristes trópicos’!
Maurício Buffa
Consultor de Negócios
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