Uma derrota acachapante


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Um dia depois de conseguir uma liminar que barra (por enquanto) a Comissão Processante aberta na Câmara Municipal para avaliar a sua cassação, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) sofreu uma derrota acachapante para o ex-prefeito Sidnei Rocha no próprio ninho tucano: foram 676 votos contra 288. Os números tiram de Ferreira o sonho de tentar a reeleição. E de certo modo demonstram o desagrado do partido a respeito da mais danosa administração de toda a história de nosso município. A vitória de Sidnei Rocha na convenção municipal do PSDB vinha sendo desenhada há meses, a despeito de o atual prefeito acreditar que teria votos suficientes para conseguir a indicação. A derrota abateu o chefe do Executivo e seus seguidores, os quais acreditavam em projeções apresentadas por auxiliares próximos apontando vitória da criatura que se voltou contra seu criador — o candidato vitorioso, Sidnei Rocha. 
 
Não bastassem tais desgosto e frustração, Alexandre ainda terá pela frente uma dor de cabeça: enfrentar uma Comissão Processante. Embora tenha conseguido uma liminar da Justiça suspendendo o processo que já estava em curso, isso não significa que não será processado e/ou cassado. Basta a Câmara Municipal acatar a decisão e seguir os trâmites legais que devem embasar o processo. Alijado da disputa municipal, o prefeito fica politicamente isolado, o que pode levar certos vereadores aliados de sempre a se tornarem algozes. No apagar das luzes do mandato, Ferreira pode ser surpreendido por aqueles que sempre defenderam seus interesses no Legislativo. Além disso, por causa do pleito de outubro próximo, poucos legisladores querem ter o nome ligado ao chefe do Executivo, uma garantia de rejeição nas urnas.
 
A esperança é de que a cidade não sofra nestes meses finais da administração de um prefeito que demonstrou, desde o primeiro dia, não se importar com os problemas e desejos da população francana. Desde o primeiro dia de seu mandato, três anos e quatro meses atrás, Alexandre revelou total incapacidade para assumir a chefia do Executivo de uma cidade com mais de 300 mil habitantes. Preferiu unir-se ao poder econômico, como no caso do acordo fechado na surdina com a Empresa São José em detrimento do usuário do transporte público. Está sendo processado por fraude na concessão de licenças ambientais para curtumes no Distrito Industrial. Tentou vetar um projeto de lei a pedido de um banco que contribuiu com a sua campanha. Vários outros episódios (como no desvio das creches e o caso envolvendo o ICV) tornaram a passagem de Alexandre Ferreira na Prefeitura um desastre total, criando uma rejeição recorde. Seja como for, ele deixará o cargo até o fim de seu mandato. Para muitos, já vai tarde.
 
 
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