O saldo de trabalhadores com carteira assinada está menor na região de Franca. Entre o último trimestre de 2013 e o mesmo período de 2015, o número de funcionários formalizados caiu. Segundo levantamento feito com base na pesquisa Painel da Profissões da Fundação Seade, a redução no período foi de quase 11 mil empregados - 6,21%. Sai u de 184,3 mil em 2013 para 173,5 mil no final do ano passado.
Elaborada a cada três meses, a pesquisa considera os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho relativos aos empregos formais celetistas das 23 cidades que compõem a Região Administrativa de Franca.
Para o economista e coordenador da pesquisa, Alexandre Loloian, o quadro definhou principalmente porque a economia parou de crescer no período e atingiu dois setores da região - calçadista e agroindustrial - que já apresentavam dificuldades. “O couro calçadista sofria com o problema do câmbio e a queda nas vendas no mercado interno, enquanto o setor de açúcar e álcool enfrentava a contenção do preço”, relembrou.
Devido a alta importância dentro do cenário regional (a indústria de transformação responde por 32,8% dos ocupados com carteira), a crise afetou o nível de emprego do setor e, consequentemente, fez encolher o quadro de trabalhadores. Segundo a pesquisa, o total de empregados neste segmento diminuiu de 65.675 para 56.949 no intervalo entre os dois trimestres (veja quadro nesta página). “O impacto é grande e muitos desses trabalhadores podem hoje ter voltado para o mercado de trabalho, porém sem registro”, disse Loloian.
O pesquisador destacou ainda que a prática da sazonalidade na indústria calçadista pode ter favorecido negativamente o cenário atual. “Esse comportamento é pouco colaborativo e provoca uma redução da capacidade produtiva”.
Professor de economia do Uni-Facef e da Faculdade de Direito de Franca, Antônio Moraes Júnior lembra também que o corte de empregos faz crescer a informalidade. “O número de pessoas fazendo bicos aumenta, assim como o empreendedorismo por necessidade e a terceirização. Isso deterioriza o emprego, dilapida a poupança e tudo isso enfraquece a economia”.
A pespontadeira Sueli de Fátima Ribeiro faz parte desse grupo. Desempregada desde março do ano passado, em razão do fechamento da fábrica em que trabalhava, ela tem realizado bicos na área para não ficar parada. “Gostaria de continuar tendo as garantias que a carteira assinada dá, mas não está fácil conseguir um emprego fixo. Ultimamente tem até empresa oferecendo vaga, mas sem registro”.
Segundo Moraes, perder postos de trabalho formais é extremamente prejudicial para a economia regional, pois todos os setores acabam enfraquecidos. “O PIB diminuiu, a classe trabalhadora é penalizada e reduziu o poder de compra. Nesse 1º de maio, em que se comemora o Dia do Trabalhado, não há motivo para comemorar. A data deve servir para colocar as reivindicações”.
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