Café os grãos que nos rodeiam


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Ao contrário da região paulista, a mineira não está mal contaminada pela cana. Por lá, a cara da agricultura ainda é de roça
Ao contrário da região paulista, a mineira não está mal contaminada pela cana. Por lá, a cara da agricultura ainda é de roça
Toma-se o planeta, divida-o pelos trópicos de Câncer e Capricórnio, e tem-se o que é víneo e o que é cafeínico: a porção de terra perfeita para o cultivo do café não dará vinho bom e vice-versa, essa é a lógica. Estamos na faixa do café. Ouvi da boca de uma assentada da Boa Sorte que esse ano será ano de café bom. Aleluia! Uma boa notícia, enfim. Comecei a prestar atenção aos nossos cafezais e como estão lindos. Com porte de barões, esnobando verdura. 
 
Mas não só por aqui, a assertiva se confirma para os lados da Serra da Mantiqueira, por onde fui andar dia desses. Dois, quase três dias vendo morros fatiados em ruas repletas de pés de cafés, que subiam e desciam produzindo aquele efeito de animação, o mundo girava a partir de um click, me entontecia e aos poucos a sucessão de curvas me lembrou o Pequeno Príncipe, parecia que veria a raposa, a rosa, o pequeno.
 
Perguntei às assentadas se tinha muita cobra nos pés de café da Boa Sorte. “Vichi!” Foi a resposta. Pondo mais lenha na fogueira da lenda aterrorizante da minha infância. Minha mãe me contava que os cafezais tinham muita cobra e uma delas corria na ponta do rabo atrás dos trabalhadores. Pensava aterrorizada que pior que isso só tubarão com asas. Uma delas me diz que uma máquina é utilizada na colheita do café e elas se divertem pensando na quantidade de cobras que essa tal máquina deve engolir! Penso: não é possível, elas devem estar mancomunadas com a minha mãe...
 
Ao contrário da região paulista, a mineira não está mal contaminada pela cana, gramínea terrível, o mais feio e pernicioso cultivo agrícola que há. Por lá, a cara da agricultura ainda é de roça e observo que há muitas casas pequenas, simples, que parecem estar sozinhas em meio a plantação, bem cuidadas, brancas e azuis na maioria, todas ostentam um terreno cimentado de secar café. E onde estaria a casa grande? Pois é, não há mais. Confirmo que o café da Serra da Mantiqueira hoje é cultivado por pequenos agricultores, 89% de toda a produção está nas mãos da agricultura quase familiar. Um local que conseguiu a Designação de Origem, através da Indicação Geográfica, e está produzindo cafés de excelência, muitos, premiados. 
 
Sorte que não perguntei a ninguém por lá sobre cobras em cafezais porque, a certa altura, os pés maltratados reclamavam descanso. Uma paineira com as raízes descarnadas num barranco no cafezal foi irresistível. Tirei as botas, joguei fora a mochila e me deitei. Um galho de folhas muito verdes e lustradas - pareciam obra de um engraxate diligente. Os frutos, tantos e vermelhos, desafiam o galho a se manter ereto. Pego um, dois, três, meia dúzia de grãos vermelhos e chupo: pimentão doce, é isso? E me indigno: por que será que não adotamos essa belezura como árvore de Natal? 
 
 
DICA DA SEMANA
 
Bolo de cenoura com Nutella
Existe o bolo de cenoura que é, pode-se dizer, uma unanimidade, principalmente entre as crianças, entre as mães também, que acham essa uma boa oportunidade para a criança comer cenouras. Ok, mas as quantidades de açúcares e gorduras não compensam a cenourinha. Melhor considerá-lo uma guloseima mesmo e pronto.
 
Existe cobertura craquelada ou cremosa, aquela com mais açúcar, essa com mais gordura. Mas agora, para os aficionados em Nutella tenho uma dica:
 
Fazer a cobertura e ou recheio do bolo de cenoura com Nutella. Mas não é assim só jogar por cima, antes é preciso homogeneizar o creme. A receita vem de um famoso restaurante no Rio de Janeiro. 
 
Para um bolo inteiro, bastam 65 gramas de Nutella, 100 ml de leite e 25 gramas de manteiga sem sal e de boa qualidade. Não precisa levar ao fogo, é só bater tudo de leve com um batedor de arame e espalhar por cima do bolo ainda morno. 

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