Descobri, em pesquisa rápida na internet, que o Brasil tem 17 aeroportos internacionais. Pode parecer irrelevante, mas, para mim, é mais que simples informação. A angústia que sinto é que me fez procurar esse dado.
Tenho vivido profunda inquietação com a situação política de meu país. Muito se fala e discute. Há vídeos e mensagens de todo tipo nas mais distintas mídias. As redes sociais são úteis, mas também se tornaram depósitos de comentários ou informações descabidas, enganosas...
Não me sinto representado em muito do que leio, escuto ou vejo. Não me sinto profeta do apocalipse, e não sou analista sócio-político-econômico. Sou um cidadão comum. Procuro ser honesto com meus pensamentos. Talvez eu desagrade os de ‘direita e os de esquerda’ mas, para ser livre, não assumo compromisso de agradar a ninguém.
Acredito na operação Lava Jato. Creio que é um ação histórica importante. Acredito na capacidade dos que assumiram sua condução. Não acredito que a corrupção seja coisa de agora, de um grupo ou um partido. Não acredito na ditadura. Não acredito que o exército ou outra instituição posso nos tirar desse fundo de poço. Não acredito em salvadores da pátria.
Não votaria em Sérgio Moro para a presidência do Brasil. O apoio para que continue sendo o que tem sido até o presente. Acredito que ele tenha sido cometido algum erro no decorrer do processo. Para mim, um foi a divulgação de conversas gravadas. Penso que Moro vislumbrou, e com razão, que seu trabalho pelo Brasil corria risco de ir pelo ralo. Diante da desavergonhada nomeação de Lula como Ministro da Casa Civil, sem o conhecimento público daquela conversa gravada, a reação da Justiça e de todo o Brasil teria sido a mesma? Lula poderia ter conseguido o Foro Privilegiado. Aliás, será que alguém, dentre os sérios, pode explicar o porque de Foro Privilegiado? Não somos todos iguais perante a lei?
Até compreendo que pessoas que deram a vida pelo bem comum, possam ser julgadas com certa privacidade, não terem suas vidas expostas e vilipendiadas em praça pública. Indigna-me perceber que ‘privilegiado’ não é o Foro, mas a pessoa; que se pode ‘comprar justiça’ safando-se de suas responsabilidades. Tenho certeza que a lei foi pensada para a defesa do bem, mas perverteu-se em estrutura de mal. Há ilustres políticos apegados ao posto para não perderem esse tal Foro Privilegiado. Quanto ao conteúdo das conversas divulgadas, não senti outra coisa a não ser nojo. Palavras de baixo calão, desprezo patente por tudo o que é público, zelo e dignidade nenhuma com nada nem com ninguém. Apego único e exclusivo a si e ao poder.
Como esquecer de Lula mandando enfiar no c... a p... da investigação? Pode-se ser egocêntrico, safado, imundo e tudo o que a gente quiser ser, usando termos mais elevados. Ponho-me a pensar se houvesse acesso a conversas de outros políticos. Haveria alguma surpresa positiva, fosse qual fosse o partido? O PT extrapolou, não sei por incompetência, por sentirem-se acima da lei, da ética, da moral.
Com o mais ilustre do partido declarando-se santo e sem pecados, fica difícil saber o que é ironia, zombaria, desvario, doença. Sou incapaz de diagnósticr. Se não consigo avaliar, posso fazer, ou sugerir, o quê? O louco desvairado acredita na própria mentira: tudo se resolve com o mote ‘Não vai ter golpe’. Não me esqueço de FHC, que disse, depois de eleito, ‘esqueçam o que escrevi...’ Naquele dia, para mim, morreu o sociólogo, nasceu o político.
Desconfiança e decepção com políticos me tomam. O poder no Brasil sempre foi loteado, dividido por interesses. O preço da governabilidade é mais alto que o ideal de nação justa e próspera. Não se vota pelo bem comum, tudo tem seu preço, precisa ser negociado... Nem toco na representatividade de Estados, de currais eleitorais que hoje se chama ‘base’... (PJR).
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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