Desespero de causa


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Não satisfeita em mentir descaradamente ao se dizer vítima de um “golpe”, disseminando sua falácia a cada discurso ou entrevista, a presidente Dilma Rousseff (PT), insuflada por aliados sem noção e auxiliares próximos, já deu largada à intenção de propor eleições gerais diante de um impeachment cada vez mais próximo. A proposta seria uma retaliação ao vice-presidente Michel Temer (PMDB) e aos congressistas que defendem sua cassação, atingindo no caminho governadores e deputados estaduais. Esta atitude só poderia ter partido de petistas desesperados com a possibilidade de perderem a ‘boquinha’ e terem que trabalhar de verdade para suprir o próprio sustento. 
 
Porém, incorre em erro quem acredita que há respaldo legal para que a proposta prospere. As disposições sobre as eleições no País são cláusula pétrea da Constituição brasileira e não podem ser mudadas ao bel-prazer de qualquer um: são imutáveis e nem uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) pode alterá-las. A Carta Magna admite nova eleição em caso de vacância total do cargo (presidente e vice, no caso). O presidente da Câmara assume interinamente e uma nova eleição é marcada em até 90 dias. Não há possibilidade de eleições gerais e muito menos para a Presidência caso o vice não seja impedido de governar. Simples assim.
 
Por isso, a proposta de novo pleito não passa de mais uma bravata de quem não tem mais condições de conduzir os destinos do País. Sem apoio parlamentar e muito menos popular, Dilma se vale de subterfúgios para se apresentar como vítima, quando se sabe que ela mesma cavou o buraco onde se enterra. Incapaz política e administrativamente, a presidente não tem mais qualquer credibilidade para continuar no Planalto. Cometeu crimes de responsabilidade e sofre um processo legítimo. Agora, tenta liderar um verdadeiro golpe contra a Constituição brasileira, com o apoio de meia dúzia de parlamentares ainda fiéis à presidente.
 
Para se ter uma ideia deste despautério, nem o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), principal interlocutor de Dilma na atualidade, e que seria o principal beneficiado por isso, endossa a proposta. Apenas alguns poucos dentro do próprio Partido dos Trabalhadores aceitam esta ideia, pois a maioria sabe de sua inviabilidade. Defender a antecipação das eleições agora é afrontar a nossa Carta Magna, que contempla a possibilidade do impeachment da forma como está sendo feito. Um novo pleito seria uma violência contra a constituição, assim como o fazem alguns ditadores de esquerda que ainda insistem na tentativa de perpetuação no poder em alguns países da América Latina e da África.
 
 
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