Morre Alcides Rejane


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Alcides Rejane foi sepultamento no ‘Santo Agostinho’, dia 23
Alcides Rejane foi sepultamento no ‘Santo Agostinho’, dia 23
Morreu aos 20 minutos do dia 23 de abril, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, Alcides Rejane, aos 82 anos — completados durante internação hospitalar, em 20 de abril. A causa de sua morte foi cirrose hepática. ‘Papai foi um homem sem vícios. Jamais bebeu ou fumou. O diagnóstico aconteceu ao final do ano passado. Médicos que o examinaram concluíram por hepatite, doença que permanece incubada por décadas, sem emitir sinais. Na história médica de papai estão duas cirurgias que realizou, uma, por úlcera, em 1969; e outra, para extração de tumor benigno no cérebro, em 1982. Segundo os profissionais que o atenderam, não havia mais o que fazer, em razão da idade avançada e incertezas sobre possibilidade de transplante de fígado’, disse o filho Ronaldo.
 
Alcides viveu seus últimos meses de vida morando com a filha Irene. ‘Aproveitamos sua presença com toda força, desde o diagnóstico. Minha irmã foi determinante no que ele ainda teve de qualidade de vida’, disse Ronaldo. 
 
Alcides era filhos dos imigrantes italianos Francisco Rejane e Ida Bastianini, que chegaram ao Brasil ao início do século passado e se empregaram para trabalho na terra em propriedades rurais da região de Ibiraci (MG). Mais alguns anos e se tornaram arrendatários de pequena gleba de terra. Na propriedade vizinha, outros arrendatários, naturais de São Sebastião do Paraíso (MG), Zulmiro Pinto Pimenta e Jacinta Cândida de Jesus, iniciavam trabalho. Tinham uma filha bonita e prendada, Maria Regina. As famílias fizeram amizade e passaram a se encontrar. Alcides e Maria Regina namoraram e se casaram em Ibiraci (MG). Foram residir na fazenda ‘Capão dos Porcos’, junto aos pais dele.
 
Do enlace, a origem de grande e unida família. Foram sete filhos (Lourival, Cássio, casado com Maria Lúcia; Irene, casada com Wilson Gonçalves; Célia, Silvana, Ronan, casado com Lucimeire; Ronaldo, casado com Juliana), 21 netos (Juliete, Juliana, Roberta, Flávia, Gustavo, Paula, Tales (hoje diretor de futebol do Lajeadense - RS), Karina, Janaína, Marina, Taísa, Tiago, Tafael, Flávio Júnior, Rafael, Larissa, Lauane, Amanda, Alexandre, Ana Laura, Gabriel (formando futebolista no Internacional de Franca e hoje no Internacional de Porto Alegre - RS), além de 15 bisnetos.
 
Após Ibiraci, a família toda se mudou para Jaborandi, região de Barretos (SP) para trabalhar em outra terra arrendada. Lá, ficaria por ano e meio, antes de decidir-se por buscar um porto seguro, esco-lhendo Franca para tal. ‘Aqui, papai se empregou na Pedreira Físico e trabalhou até enfrentar a úlcera que o levaria a cirurgia e a um problema de coluna que o levou a precoce aposentadoria por invalidez’, disse Ronaldo.
 
Na época, seus dois filhos mais velhos, empregados na fábrica de calçados Romano, dirigida pelo industrial Zeferino Caetano Oliveira, receberam de seu diretor, oferta de treinamento e trabalho para o pai, em confecção de palmi-lhas de calçados. ‘Foi um gesto despreendido que quem não tinha nada a ver com nossa vida, coisa de gente grande, capaz de olhar em volta e fazer o bem. Papai aceitou, adquiriu o conhecimento necessário e passou a produzir as palmilhas. O senhor Zeferino lhe comprava toda a produção, e essa produção só cresceu’, disse o filho.
 
Na época, Alcides contou com a participação de todos os filhos, para ampliar o negócio. ‘Deu, ainda, emprego a dezenas e dezenas de jovens entre 11 e 14 anos — e isso era permitido —, ensinando-lhes a produzir e a ganharem seu próprio dinheiro para ajudarem em casa e terem suas próprias coisas. Papai foi um construtor de homens de bem, e não só a nós, mas também a tantos, para terem oportunidades na vida’, emocionou-se Ronaldo.
 
Em casa, Maria Regina cuidava para que a família tivesse o suporte indispensável ao trabalho. ‘Fomos melhorando de vida por conta do gesto do se-nhor Zeferino, pelo esforço de papai, do apoio da família e tantos quantos ele deu oportunidades. Mamãe, mulher de perfil congregador e forte, acabou auxiliando outros familiares que vieram para Franca. Encontravam com ela, teto seguro e cuidado para encontrarem seus próprios cami-nhos. De todos nos orgu-lhamos igualmente. Mamãe e papai sempre se emocionaram com o que Deus lhes deu para viverem vida simples e digna, mas também com o que pude-ram oferecer a tantos outros’, contou o filho. 
 
O dr. José Borges da Silva, Procurador do Estado, confirma. ‘Eram meus padrinhos. Morávamos em Cássia (MG). Meu pai morreu cedo. Minha mãe resolveu se mudar para Franca em busca de melhores oportunidades para os filhos. Fomos recebidos por madrinha e padrinho e com eles residimos no período difícil de adaptação à cidade maior. Eram diferentes, capazes de oferecer tudo o que tinham para dar guarida a quem necessitasse. Serão sempre inesquecíveis’.
 
O velório de Alcides aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento foi realizado no Cemitério Santo Agostinho, 16 horas do dia 23, com serviços da Funerária Nova Franca.

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