A bola da vez


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Houve um sensível esvaziamento nos debates sobre as  eleições municipais em razão do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. E não ocorre apenas em Franca, mas em todo o Brasil.
 
A mídia que cobre a política, por razões óbvias e justificáveis, concentra-se, neste momento histórico, no impeachment de Dilma. Também,  no processo em curso na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal, que visa cassar o mandato de presidente da instituição, Eduardo Cunha.
 
Assim, os dois eventos em nível nacional despertam mais interesse na população do que as próprias eleições municipais, já que essas só ocorrerão em outubro, sendo certo que até lá ‘muita água vai passar por debaixo da pinguela’.
 
Mesmo em Franca, o único fato novo de destaque, sem dúvida, é a intenção do ex-prefeito Sidnei Rocha em colocar o seu nome à deliberação dos filiados do PSDB, visando, assim, disputar o paço municipal.
 
Tal episódio, segundo especialistas, sinaliza uma ruptura dele com o atual prefeito Alexandre Ferrreira, fato que, no entanto - e ao que parece -, é negado por ambas as partes.
 
É evidente que há um intenso trabalho de bastidores onde as coligações são costuradas. Porém, como já asseverei em escrito anterior, parece que em Franca, a dificuldade maior reside no fato de que todos querem ‘o arreio e não a garupa’, ou seja, pretendem o cargo de prefeito, não o de vice-prefeito.
 
Em matéria de política nada pode ser desprezado pois, como dizia o saudoso político Tancredo Neves, ‘O bom político, em época de eleição, ao contrário das galinhas, cisca para dentro e não para fora.’
 
Só de uma coisa se tem certeza neste momento: com as novas regras eleitorais, o uso do poder econômico será sensivelmente policiado pelas autoridades competentes, embora, infelizmente, quem tiver mais para gastar, certamente também terá mais chances de se eleger.
 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca

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