Mesmo lutando em várias frentes para tentar impedir que o Senado também aprove o impeachment de Dilma Rousseff (PT), aliados já entregaram os pontos e admitem que a presidente será mesmo afastada e, depois, cassada. Nem as ações da Advocacia Geral da União (que tenta cancelar a sessão da Câmara dos Deputados que aprovou o prosseguimento do processo no Senado), nem a articulação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (que busca reverter o placar amplamente favorável ao impeachment) mostram-se capazes de reverter o quadro. Muitos aliados da presidente, inclusive parlamentares petistas e auxiliares próximos, jogaram a toalha e só esperam o golpe final. Com isso, já se articulam no sentido de tornar mais difícil o trabalho do vice Michel Temer (PMDB), a quem os defensores de Dilma chamam de “traidor” e “golpista”.
A intenção é dificultar ao máximo a transição, isolando Temer completamente do cotidiano do governo, sonegando-lhe informações. Os governistas de agora querem mais é que o vice “se exploda”, como dizia um antigo personagem humorístico do saudoso Chico Anysio, o político Justo Veríssimo, quando se referia aos pobres. A atitude, que só poderia ser esperada de um governo revanchista e egoísta, contraria frontalmente os últimos discursos de Dilma Rousseff pregando a união nacional e uma coalizão política para reverter os graves problemas do País. Nem quando Fernando Collor de Mello passou pelo mesmo processo houve algo igual. O último presidente militar, João Figueiredo, recusou-se a transmitir o cargo ao vice de Tancredo Neves, José Sarney, mas não procurou inviabilizar as ações de seu sucessor. Como se pode ver, o PT pretende utilizar-se da prática de ‘terra arrasada’ e se mostra refratário aos problemas do País. Ele é que defende ‘quanto pior, melhor’.
Caso esta ação mesquinha prevaleça, deve ser condenada e exposta à exaustão. Um governo incapaz de resolver os problemas que ele mesmo criou e que se valeu de esquemas de corrupção para financiar campanhas e encher o bolso de seus próceres e familiares não pode mais continuar comandando os destinos do País. Esta atitude escancara um egoísmo de quem não pensa na Nação e na retomada do crescimento. Agem como ditadores que se consideram acima da lei e que, ao serem defenestrados, queimam documentos e destroem evidências de seus malfeitos. O Brasil não merece ser conduzido por quem pensa assim. Que o Senado cumpra o seu papel constitucional e também mostre que o brasileiro não concorda com crimes, ilegalidades e imoralidades. O quanto antes Dilma cair será melhor para o destino de todos.
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