Morreu às 17h45 horas no dia 23 de abril, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, a senhora Albertina Cruz de Souza. Tinha 80 anos. Sofria de câncer de pele, adquirido nos muitos anos de trabalho como lavradora, sob o sol, em propriedades rurais de Itirapuã (SP), onde nasceu. Também era portadora de Alzheimer. Nos últimos meses, muito debilitada por ambas as doenças, passou a enfrentar processos infecciosos recorrentes. No dia 23, a família a levou a seu último atendimento no Hospital do Coração. De lá, foi transferida à Santa Casa, onde morreu.
Há sete anos ficou viúva de Dionízio Luiz de Souza, que também morreu de câncer depois de longa batalha contra a doença. Albertina, que com ele viveu 55 anos de casamento, sofreu grave crise emocional quando o marido morreu. “O baque foi muito forte. Mamãe permaneceu acamada por quase quatro anos, e sua saúde decaiu até ponto quase impossível de ser superado”, disse o filho Ailton
Dionízio e Albertina, naturais da zona rural de Itirapuã (SP), se conheceram e se casaram naquela cidade. Lá trabalharam juntos na vida dura da terra e tiveram seus filhos Niuva, casada com Lourival Cristino Batista; Nilton, casado com Vera; Ailton, casado com Janete, e Lígia, adotiva.
Dos enlaces dos filhos, nasceram oito netos (Daniela, casada com Luciano Carvalho; Douglas, Talita, Nicolas, Bruno, Rodrigo, Natália e Lucas) e quatro bisnetos, Maria Júlia, João Pedro, Beatriz e Isabela.
Filhos crescendo, o casal decidiu se mudar para Franca. Para compor a necessária renda familiar, Dionízio se empregou na construção da usina Mascarenhas de Morais (Peixoto). Terminada a obra, passou a trabalhar como pedreiro. Em casa, Albertina se desdobrava para cuidar da família e lavar roupas para fora.
“Nossa vida sempre foi simples e dura”, disse Niuva. “Como filha mais velha, segui cada passo de meus pais. Nunca os vi esmorecer. Sempre enfrentaram as dificuldades de nossa criação com fé em Deus e muita dedicação. Aprendemos a força do trabalho com eles. Foram pais maravilhosos”, disse.
Em certo tempo, a família, sempre unida, conquistou o direito de montar banca nas principais feiras-livres francanas. “Fomos todos vender verduras. As dificuldades se reduziram um pouco, mas papai ainda tinha que deixar mamãe tomando conta da banca para continuar trabalhando como pedreiro. Só fecharam a banca quando a doença de papai não permitiu mais que continuasse. Chegava a nossa hora de cuidar deles”, disse Ailton.
Sobre essa decisão de cuidar dos pais, Niuva foi taxativa. “Com aval da família, deixei meu trabalho em fábrica de calçados. Da época até à morte de mamãe, foram dez anos de dedicação integral, meu marido, filhos, irmãos e netos sempre ao meu lado. Não há do que reclamar. Demos a papai e mamãe a mesma dedicação, carinho e cuidado que eles sempre nos deram”, disse a filha.
“Minha irmã foi grande guerreira. Não temos palavras para descrever o quanto ela fez por eles e também por nós, já que nos permitiu continuar tocando nossas atividades. A ajudamos como pudemos, e ela foi determinante para que nossos pais tivessem a qualidade de vida que foi possível”, disse Ailton.
“Mamãe foi nosso tudo. Conduziu-nos pela vida com sua sabedoria simples de lavradora, mulher decente e trabalhadora. Sabemos que desta vida finalmente descansou, mas continuará sempre viva em nosso pensamento”, disse.
O velório de Albertina aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, dia 23 de abril, foi realizado às 15 horas, no Cemitério da Saudade, com serviços da Funerária Nova Franca.