Reforma política!


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Mais uma vez o brasileiro se vê envolvido por profunda crise econômica, de governo e ética, que ameaça descambar para crise social. Olhando para o passado, verificamos que a dificuldade brasileira é sistêmica. Com diferentes cenários e coadjuvantes, é a mesma crise há oito décadas. 
 
O presidencialismo confere todo o poder e muita responsabilidade ao governante e, por sua natureza, não permite solução de curto prazo quando o titular se desvia da rota segura.
 
Conchavos por conquista e/ou manutenção do poder tem levado governos ao fracasso e o país, a oscilar entre democracia e autoritarismo. 
 
O clássico embate entre esquerda e direita sempre presidiu a movimentação política mas, para desapontamento geral, o pano de fundo sempre foi a divisão do poder. 
 
Tentativas por parlamentarismo foram inviabilizadas. O que restou foi presidencialismo juntado a inconveniências do parlamentarismo. Não podia dar certo.
 
Agora, outra encruzilhada. Certamente teremos solução, mas não será duradoura se não priorizar reforma política. 
 
Há que se acabar com o conchavo que origina as maiorias parlamentares, eliminar a troca de pedaços do governo por votos congressuais, e estabelecer requisitos mínimos para a viabilização de partidos políticos. 
 
Não podemos mais continuar convivendo com o escambo que reina entre Executivo, Legislativo e partidos políticos. 
 
Por causa disso, eleitos se descaracterizam e perdem a real condição de representar o povo. Além de recolocar o país em funcionamento, o governo que resultar da atual crise tem o dever de promover profunda reforma política, definir regime de governo autêntico que atenda aos interesses nacionais. 
 
O país não pode continuar convivendo com períodos de desgoverno e vácuo de poder. Precisamos de políticos acima de qualquer suspeita para por fim a essas instabilidades cíclicas...
 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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