Pais culpam burocracia da UPA por piora na saúde de bebê


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O pequeno Gael Rodrigues, de apenas 3 dias de vida, quase morreu depois de esperar por atendimento na UPA do Jardim Aeroporto
O pequeno Gael Rodrigues, de apenas 3 dias de vida, quase morreu depois de esperar por atendimento na UPA do Jardim Aeroporto
O pequeno Gael Rodrigues, de apenas 3 dias de vida, quase morreu na noite da última segunda-feira depois de esperar por atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Aeroporto. Por conta da demora, os pais acabaram procurando atendimento na rede particular. O bebê está internado no Hospital Unimed São Joaquim e já não corre risco de morte.
 
O frentista Willian Douglas Rodrigues, pai de Gael, conta que a mãe do menino estava amamentando-o quando de repente ele se engasgou. “Como ele não conseguia respirar direito e moramos perto da UPA, resolvemos correr com ele para lá”, disse. Chegando na unidade, ainda desesperado, Willian gritou por socorro. “Uma enfermeira veio, pegou meu filho e sem o examinar direito, nem passá-lo por um médico, disse que ele não tinha nada e que tínhamos de esperar na recepção para fazer uma ficha e entrar na fila”, conta. 
 
O bebê, segundo o pai, já estava desfalecendo. “Ele estava todo pálido, com os lábios ficando roxos. Eu disse que eles deviam atender meu filho, que era algo sério. Não deviam se preocupar com a ficha. Eu e minha mulher insistimos, mas não teve jeito. As atendentes disseram que teríamos de esperar.”
 
Com o quadro do bebê se agravando, Willian decidiu pegar o carro e procurar atendimento na Unimed. “Fui na UPA porque era uma emergência e estávamos ali do lado. Mas me arrependo”. 
 
No hospital, o bebê foi direto para a emergência. “A médica que o atendeu disse que, na verdade, ele estava com uma crise hipoglicêmica (baixo nível de açúcar no sangue). Na hora ele foi internado no CTI Infantil”. 
 
Gael permaneceu no CTI até o fim da tarde de ontem, quando foi transferido para um quarto. “Graças a Deus temos plano de saúde e conseguimos que ele recebesse atendimento a tempo. Fico pensando o que aconteceria se eu não tivesse como vir à Unimed”, desabafou. 
 
Para Willian, a burocracia das atendentes da UPA em exigir o preenchimento de uma ficha antes de atender o bebê na situação de emergência contribuiu para o agravamento do quadro. “É um absurdo que em uma unidade de pronto-atendimento a preocupação primeira seja a ficha e não a vida do paciente. Foi meu filho, mas poderia ser qualquer um. Isso não pode acontecer”. 
 
Willian fez questão de retornar à UPA e registrar uma queixa formal e deve também procurar a delegacia para registrar um boletim de ocorrência. “Minha intenção é impedir que isso aconteça com outras crianças”, disse ele. 
 
Resposta 
A diretora da UPA, Líria Cristina do Carmo, admitiu que Gael deveria ter tido prioridade no atendimento, mesmo não apresentando mais sinais de engasgamento e dificuldades para respirar. Ela se comprometeu em rever os processos de atendimento para evitar casos como este. “Vamos analisar nossos procedimentos e vamos nos empenhar para que fatos como esse não ocorram mais.”
 
 

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