“Foi dona de casa, esposa amada e mãe adorável, uma ‘senhora mulher’ na plena expressão dessas palavras”
Morreu às 23h30 do dia 25, segunda-feira, no Hospital São Joaquim/Unimed de Franca, a senhora Elvira Abrahão Moretti, aos 83 anos. Há catorze meses, com diagnóstico de câncer, iniciou tratamento no Centro Oncológico e Radioterápico de Ribeirão Preto, que dispunha de equipamentos e terapias melhor indicados a seu caso.
Viu-se livre da incidência primária da doença, mas metástases apenaram seu organismo e o submeteram a frequentes reingressos hospitalares, tanto em Ribeirão quanto em Franca. No domingo, 24, Elvira foi novamente levada ao Hospital São Joaquim, mas os esforços por manutenção de sua vida foram infrutíferos. Sua morte aconteceu ao final da segunda-feira, 25.
Deixa, viúvo, Paulo Gomes Moretti, competente e reconhecido bioquímico que fundou e conduziu, por 30 anos, o Laboratório de Análises Clínicas Oswaldo Cruz, estabelecido à rua Major Claudiano, Centro da cidade de Franca. Tiveram 55 anos de casamento e duas filhas, a pedagoga Paula, e a psicóloga Roberta.
“Formei-me em Campinas e permaneci lá por quase quinze anos. Voltei para o lar quando julguei que era hora, sem saber que minha presença seria, nos tempos seguintes, muito importante para ajudar no cuidado que papai e mamãe mais precisariam de suas filhas. Hoje, tenho certeza que foi para cumprir missão que estava reservada à minha irmã e a mim, a de cuidarmos juntas, de nossos pais’, disse Roberta.
Há oito anos, o pai, Paulo, atingido por AVC que se repetiria algum tempo depois, ficou com sequelas graves de movimentos e de fala. “Mamãe foi, de novo, como sempre tinha sido, companheira inseparável dele. Minha irmã, Paula, também se agigantou em cuidados. Eis que mamãe, sempre forte, foi quem passou a necessitar de força, carinho e cuidados especiais. Paula e eu nos dividimos para cuidar de ambos. É o que fizemos e continuaremos. Papai e mamãe nos deram caráter, estudo e conforto. Fizeram tudo o que puderam por nós. Agora que mamãe se foi, descansando finalmente das tristezas que viveu nos últimos meses, continuaremos com papai”, disse a filha.
Elvira Moretti e Paulo se casaram só depois de 10 anos de namoro, respeitando o que combinaram quando se decidiram enfrentar a vida juntos. “Ele ainda estudava quando conheceu mamãe. Sabiam o que queriam, mas combinaram que aguardariam a formatura dele. Ela se tornou dona de casa, esposa amada e mãe adorável, uma ‘senhora mulher’ na plena expressão dessas palavras”, disse Roberta.
Religiosa, integrou movimentos da igreja católica e apoiou movimento pró-formação de sacerdotes. Com amigas especiais dedicou-se a apoiar o movimento que deu origem à Apae de Franca e ao hospital do Câncer de Franca. “Sem saber que passaria pela tristeza da doença, chorou a perda de várias amigas, mas manteve-se sempre forte, pronta a dar colo para familiares delas”, contou a filha.
Paulo, agora viúvo, sofre a perda da mulher. “Não fala, mas seu sofrimento está em seus olhos. Acontece logo com ele, homem que foi a expressão do dinamismo e de cuidado com pessoas. Isso, aliás, provou publicamente quando se aposentou do trabalho no laboratório e não o fechou enquanto três enfermeiras que trabalharam com ele por todo o tempo da atividade -— Iolanda, Benedita e Cássia —, também não se aposentassem. Agora, vamos pegá-lo no colo, como sabemos que ele faria, se nós estivéssemos em seu lugar”, concluiu a filha.
Velório, com várias manifestações públicas de amizade e condolências de amigas de Elvira e à família Moretti, aconteceu no São Vicente de Paula. Sepultamento, às 16 horas, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado no Cemitério da Saudade ontem, dia 26.
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