Desemprego só aumenta


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A profunda crise econômica que atravanca o crescimento do Brasil está longe de acabar, se formos levar em conta o mercado de trabalho. O desemprego continua crescendo, numa clara demonstração de que o setor produtivo brasileiro continua estagnado. Além do alto número de postos de trabalho fechados, grandes empresas têm apelado para as férias coletivas, cada vez mais constantes, e para o “lay off” (redução de jornada e salários) por causa dos altos estoques existentes e da retração nas vendas, principalmente na indústria automobilística onde várias plantas estão paradas atualmente. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, basta acompanhar os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados na semana passada, segundo os quais o Brasil perdeu 118.776 vagas com carteira assinada em março, mais do que havia perdido em fevereiro ( 104.582 vagas). É o pior resultado para março desde 1992, quando a pesquisa começou a ser feita. É o 12º mês seguido em que o país perdeu vagas de trabalho.
 
No acumulado de 12 meses até março, são 1.853.076 de postos de trabalho com carteira a menos. A diminuição tem como pano de fundo o cenário de profunda retração econômica, com a crise política também contribuindo para minar a confiança de empresas e famílias, afetando decisões de investimento. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentam números mais amplos, pois levam em conta todos os trabalhadores, com ou sem carteira (o Caged só leva em conta a carteira assinada). A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua mensal registrou que o Brasil tinha, em média, 10,4 milhões de desempregados no trimestre que vai de dezembro de 2015 até fevereiro de 2016.
 
Sem uma política industrial clara e incentivos como crédito barato e facilitado, dificilmente o Brasil dará a volta por cima nesta crise sem fim. Enquanto o setor privado for encarado como ‘inimigo’ ou de menor importância para o desenvolvimento do País, por causa de uma ideologia que prega a estatização como um caminho viável — mesmo que os exemplos da antiga União Soviética, Cuba e atualmente da Venezuela e Coreia do Norte desestimulem esta solução. O setor privado precisa ser tratado com maior carinho, já que depende dele o crescimento da Nação como um todo. Caso não haja respaldo maior dos que dirigem o Brasil a partir de Brasília, nenhum setor conseguirá absorver os mais de 10 milhões de desempregados nem dar estabilidade ao trabalhador colocado. Que esta crise seja vista como uma lição preciosa para quem assumir o governo após Dilma não incorrer nos mesmos erros. Seja neste ano, seja em 2019.
 
 
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