Bebê com hidrocefalia morre e família aponta negligência


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O pai da criança, o gerente de fábrica aposentado Wanderlei Batista Rodrigues, 57, registrou um boletim de ocorrência de morte suspeita
O pai da criança, o gerente de fábrica aposentado Wanderlei Batista Rodrigues, 57, registrou um boletim de ocorrência de morte suspeita
Ficar dentro da própria casa tornou-se uma tortura após a faturista Cleide Faciroli de Souza, 42, ver seu filho único, Luís Felipe de Souza Rodrigues, morrer com apenas um ano e cinco meses. A imagem da criança morta no berço marcou para sempre sua vida e de sua família. A mulher não consegue ver fotos do garoto nem entrar no seu quarto, onde ainda estão seus brinquedos. Tudo traz à tona a dor da perda do filho.
 
A mulher acredita que a morte do bebê, que nasceu com hidrocefalia, aconteceu devido ao descaso dos médicos que o atenderam em três idas ao Pronto-socorro Infantil de Franca. O menino morreu no dia 11 de janeiro deste ano e agora a família busca justiça. “Eu acredito que houve negligência médica, porque não pediram exames e só davam Dramin ou Plasil, diziam que estava tudo bem e mandavam ele para casa”, disse a mãe.
 
Segundo ela, uma das orientações básicas que é passada para pais de crianças com hidrocefalia é que, se a criança vomitar, ela deve ser levada imediatamente ao médico porque a válvula pode estar entupida. O dispositivo ajuda a eliminar o líquido que acumula na cabeça de quem tem a doença. “O certo para crianças que usam válvula é fazer uma tomografia para ver se a válvula está funcionando corretamente”, disse a mãe.
 
A avó que levou o bebê na última consulta disse que os médicos orientaram a só retornar com o garoto se ele estivesse vomitando de jato e com febre de 39ºC. “Ele não teve febre, o médico disse que estava tudo bem e deu alta. Ele foi visitado por sete médicos e nenhum deu receita, só soro na veia”, disse a avó Rosa de Souza.
 
Apesar de ser esperado que o bebê ficasse sonolento devido às medicações, o sono excessivo é outro sintoma de que a válvula está obstruída, de acordo com a mãe, que suspeitou do comportamento do bebê ao voltar do pronto-socorro. Depois da terceira ida ao PS, Luís Felipe morreu. “Ele dormiu e não acordou mais... Mexia nele e gritava seu nome. Saí gritando pela casa, me joguei no chão, entrei em pânico”, relatou a mãe.
 
Após sua morte, o pai da criança, o gerente de fábrica aposentado Wanderlei Batista Rodrigues, 57, registrou um boletim de ocorrência de morte suspeita e denunciou o caso como negligência. “Trataram meu filho com um desprezo muito grande, foi covardia não terem pedido tomografia nem encaminhado ele para Santa Casa”, afirmou o pai.
 
O pai também tem um boletim de atendimento que alerta sobre a procura recorrente pelos serviços médicos. “Cuidado! 2º atendimento nos últimos 7 dias”, diz o documento. Esses documentos serão usados em processo contra o Pronto-Socorro Infantil. “Já entrei na Justiça para ver se é possível alguma punição para os médicos”, afirmou o pai. Ele avaliará com um advogado sobre pedir indenização.
 
A família também reclama da demora para realizar uma tomografia de rotina, que havia sido solicitada cerca de dois meses antes de Luís Felipe morrer. Faltava a autorização da Secretaria Municipal de Saúde para o procedimento, que faria parte da revisão da válvula. “No dia do velório dele, ligaram para agenda essa tomografia, mas já era tarde demais”, disse o pai.
 
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Franca para obter um posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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