A (imprópria) tese do golpe


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A presidente Dilma participou, esta semana, da assinatura do Acordo de Paris sobre o Clima. Aconteceu na sede da ONU, em Nova York. Dizia-se que em seu discurso, ela se apresentaria como vítima de ‘golpe’ por seu impeachment. Não o disse. Ainda bem. Esta tese é rechaçada por ministros do STF e por todos os políticos que não são seus aliados. 
 
Seria propaganda desagregadora para o país e potencializaria a crise. Ninguém investe em país que investe em golpe, mesmo em ‘golpe’.
 
A cada dia fica mais claro que Dilma, o PT e aliados, na falta de alternativa, tentam reverter no grito suas situações adversas. É preciso tomar cuidado para evitar esbarrar em questões institucionais. Da mesma forma, a governante e seus auxiliares devem se abster de, até o deslinde da questão do impeachment, abrir as burras do governo, liberar recursos e emendas parlamentares para aliados de forma a não parecer negociatas políticas. Liberação de recursos, autorização para financiamentos internacionais e outras ações que dependam do governo não devem fugir à rotina, sob pena de não se cumprirem assim que mudar a equipe de governo.
 
Dilma e os que a defendem deveriam, em vez de se vitimizarem publicamente através de sucessivas entrevistas e discursos acusadores, buscar sólidos argumentos jurídicos — se é que os têm — para se defenderem no Senado e no Supremo Tribunal Federal. A essa altura, a técnica do esperneio ou da desqualificação do possível sucessor, não cola mais.
É de se esperar que os senadores — que agora tratam do impeachment — não percam tempo. Respeitem os prazos e principalmente a igualdade de espaço para acusação e defesa, mas evitem a protelação. 
 
O Brasil estará absolutamente parado e a crise se agravará até o dia em que estiver finalmente definido quem nos governará até o final de 2018. 
 
Os brasileiros clamam pela abertura de caminhos essenciais, o que, necessariamente, passa pelas mãos dos 81 senadores...
 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista

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