Morreu às 8h45 de ontem, 23 de abril, em sua casa, o senhor Mateus Dias Fernandes, aos 90 anos. Tinha boa saúde, mas enfrentou, nos últimos anos, problemas causados pelo Mal de Alzheimer e agravados pela debilidade própria da idade. ‘Papai, há treze anos, teve câncer de próstata mas, como o diagnóstico aconteceu em fase inicial da doença, pode realizar tratamento passivo, de acompa-nhamento. Essa doença insidiosa não o venceu. Permaneceu saudável até que o Alzheimer lhe tirasse parte da memória. Sua serenidade, porém, permitiu-lhe boa qualidade de vida até semanas antes de sua morte’, disse o filho Adelino.
Sua nora, Maria, mulher de Adelino, confirmou. ‘Ele, que foi lavrador durante a maior parte da vida, tornou-se vigoroso, e permaneceu assim até a velhice. Nunca perdeu o gosto pela terra. Para se ter ideia sobre sua excelente condição física, pelo menos até os 78 anos caminhou cerca de 14 quilômetros por dia, pela estada que vai de Franca a Ibiraci (MG), para cuidar de pequena chácara que arrendou para plantar e cuidar de porcos’.
Deixou, viúva, a senhora Deolivina Dias de Oliveira, de 82 anos, depois de 63 anos de feliz matrimônio. ‘Papai e mamãe se completaram em tudo, desde o casamento. Ela também foi lavradora. Ambos enfrentaram a dureza da vida na terra e se tornaram mais fortes por causa disso’, disse Adelino.
‘Foi muito bonito ver a dedicação de minha sogra a ele. nas últimas semanas, dormindo pouco, atenta a cada gesto ou necessidade dele. Era bonito ver o carinho de um pelo outro. Acompanhou seu amor até seu último suspiro’, disse Maria.
Mateus e Deolivina são patriarcas de grande e bem construída família, formada por 10 filhos (Maria Imaculada, casada com José dos Reis; Iraci, casada com Waldemar Mendes; Maria do Carmo, casada com César Martins; Diva, casada com Mário Sérgio dos Santos; Cristina, casada com Hélio Alves; Adelino, casado com Maria Eurípedes; Célio, casado com Leonice; Sérgio, casado com Elisanete; Adelmo, casado com Jéssica; Angélica, casada com Claudinei Rejane), 39 netos, 12 bisnetos e três tataranetos.
Adelino foi o último integrante de um grupo de amigos que se encontrou pela vida, aos finais de semana, para jogar truco, contar casos e praticar amizade, uma vez na casa dele e ou-tras, na casa de cada um. ‘Meu sogro foi o último a morrer. Todos já foram. Era muito divertido ver seus encontros. Jogavam truco, tomavam muito café e suco. Ele, sempre contido e a seu jeito. Seus amigos gritavam como alguns fazem nesse tipo de jogo, procurando tirá-lo do sério. Nunca conseguiram. Penso que quando os amigos se vão, quem fica se torna um pouco mais triste. Isso também aconteceu com ele. Devagar, as histórias de juventude que adorava contar — as viagens de caminhão para jogar futebol em fazendas, dentre elas — foram desaparecendo, levadas pelo Alzheimer’, disse Maria.
‘Meu pai viveu sua vida trabalhando. Não o vimos reclamar da dureza da vida em nenhum momento. Sua serenidade sempre lhe permitiu encontrar solução para tudo. Foi o exemplo a guiar cada um dos passos de nossa família’, concluiu Adelino.
Seu velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Às 14h30, integrantes da comunidade catecumenal da Igreja de Santa Rita estive-ram presentes e celebraram em intenção de sua alma. O sepultamento se deu na sequência, 16 horas, no Cemitério da Saudade, com serviços da Funerária Nova Franca.
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