Gilmar diz que 'processo de impeachment é golpe'


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Para ex-prefeito de Franca, processo contra a presidente será revertido no Senado: ‘Acredito em uma reviravolta’
Para ex-prefeito de Franca, processo contra a presidente será revertido no Senado: ‘Acredito em uma reviravolta’
Foi em meio aos preparativos para receber a tocha olímpica no Brasil e a organização da Marcha dos Prefeitos, que deve acontecer no mês que vem, que o ex-prefeito de Franca e atual subchefe da Secretaria de Assuntos Federativos, Gilmar Dominici (PT), recebeu o Comércio, na casa de seus pais, no Jardim Francano,onde ele cresceu. 
 
Gilmar falou do clima em Brasília, diante do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Petista, defendeu que o processo nada mais é do que um golpe político articulado entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o vice-presidente, Michel Temer, ambos do PMDB. Também disse acreditar que a presidente não será cassada. “No Senado, a história será diferente. Vamos reverter esse jogo”. 
 
Mesmo morando em Brasília, Gilmar tem acompanhado a política de Franca. Para ele, a abertura do processo de cassação contra o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) teve como grande articulador o ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB). “É o criador agindo contra a criatura”, disse ele, em alusão ao fato de Sidnei ter sido o mentor político de Alexandre. 
 
Também garantiu que o PT, nas próximas eleições, terá candidato próprio e chapa independente. “Temos esta tradição desde que o partido foi fundado em Franca, em 1982. Não vamos mudar isso”. 
 
O senhor trabalha dentro do Palácio do Planalto. Como está o clima no governo depois da aprovação do impeachment pela Câmara?
Posso responder pela minha secretaria (de Assuntos Federativos). Estamos trabalhando. Continuamos cumprindo nosso papel. Minha secretaria está cuidando de dois projetos importantes. Um deles é o roteiro da tocha olímpica pelo Brasil. Ela deve passar por 300 cidades e coube a minha secretaria fazer toda a articulação entre os governadores e os prefeitos destes município para acertar os detalhes. Estamos ajudando o Comitê Olímpico. Estamos a todo vapor. Outro projeto é a organização da já tradicional Marcha dos Prefeitos que, neste ano, acontece de 9 a 11 de maio.
 
Mas minha pergunta se referia ao clima político...
O clima político é esse que a gente está vendo todos os dias nos noticiários. Exacerbado. Não temos como negar a crise política que enfrentamos em todo país. A sessão da Câmara do domingo (quando o processo de impeachment foi aprovado pela maioria dos deputados) mostrou isso. Mas o que quero dizer é que o governo continua trabalhando para mostrar que o que aconteceu não justifica a retirada da presidenta do cargo. Ela pode até ser afastada, agora, no mês de maio. Afastada da função, mas ela continuará sendo a presidenta, ela continuará no cargo até o processo ser concluído. No Senado, este processo adquirirá outro ritmo, muito diferente do que foi na Câmara, porque o cenário é diferente. No Senado, é um grupo menor (são 81 senadores), com ex-governadores e até ex-presidentes votando. Acredito em uma reviravolta. No Senado, o mérito será discutido. A presidenta terá direito a se defender. Outro detalhe que as pessoas ainda não sabem é a reversão da aceitação do impeachment. No Palácio, tivemos acesso a uma pesquisa feita pelo Datafolha, que não foi divulgada, que mostra que o percentual de pessoas apoiando o impeachment está diminuindo. Acreditamos que deva diminuir ainda mais durante o processo no Senado, principalmente em Estados do Norte e Nordeste do país. Como todos os Estados têm o mesmo peso no Senado, acho que a presidenta não será cassada. Só precisamos de oito votos para garantir essa reviravolta. 
 
Ainda que depois a presidente consiga reverter, o fato é que o afastamento dela do cargo é dado como certo a partir de maio. Como fica sua situação se o vice-presidente Michel Temer assumir o comando do país, uma vez que o cargo que o senhor ocupa é um cargo de confiança e de livre indicação?
Ainda não sei o que vai acontecer. Mas a minha decisão já tomei. Enquanto a presidenta estiver no cargo, não saio do governo, a não ser que eu seja exonerado, mas por minha vontade, fico. Acho que se estamos lutando, se estamos denunciando este golpe articulado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e pelo vice-presidente, Michel Temer, e batalhando para reverter esse quadro político, não tem sentido eu abandonar o governo agora. Mesmo que ela seja afastada, a presidenta não perderá o cargo, então, seguirei trabalhando independente de quem ocupe o lugar dela. Agora, claro que se a posição de quem assumir for contrária a minha permanência, serei exonerado e sairei. Mas, reitero, se a decisão for minha, só saio do governo se lá no final deste processo a presidenta for cassada e perder o mandato. Neste caso, não vejo razão em continuar porque não fui a Brasília atrás de um cargo ou um emprego. Fui porque quis contribuir para um projeto de governo. Porque fui convidado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a colaborar. 
 
Aqui em Franca estamos vivendo também um processo de cassação do prefeito Alexandre Ferreira. A abertura do processo foi aprovada na semana passada por 12 votos a dois. Qual sua avaliação? 
Não conheço os detalhes completos do caso, mas tenho acompanhado as notícias lá de Brasília. O que me chamou a atenção foi a facilidade com que essa Comissão Processante foi aprovada. Quando as pessoas me perguntam, tenho dito que, para mim, é algum movimento do criador contra a criatura. 
 
O senhor está se referindo ao ex-prefeito Sidnei Rocha?
Isso. Precisamos lembrar que estamos perto de uma prévia do PSDB. Fomos surpreendidos com a existência desta disputa interna. O natural seria que o Alexandre Ferreira, que é o prefeito em exercício e o presidente municipal do partido, disputasse a reeleição. Assim tem sido. Foi comigo. Foi com o Sidnei. E o natural seria que fosse com o Alexandre, mas isso está sendo interrompido por uma obra do criador. Entendendo aí claramente que o criador é o Sidnei Rocha. Acho que para o Sidnei ter optado por enfrentar uma disputa com o Alexandre dentro do PSDB, ele já estava pensando em voltar para a Prefeitura quando, lá atrás, escolheu o Alexandre como seu substituto. Se o Sidnei quisesse mesmo só disputar a prefeitura, se ele acreditasse mesmo que é tão bom, o melhor prefeito que Franca já teve, ele podia simplesmente mudar de partido e disputar a eleição contra o Alexandre. Mas não foi isso que ele fez. É muito mais uma questão de disputa política entre os dois. Ele optou por disputar dentro do PSDB. Acho que essa comissão (processante) só foi mesmo aprovada porque estamos em um ano eleitoral e porque tem esse episódio das prévias. Não fosse isso, o Prefeito teria conseguido se desvencilhar de uma medida dessas. 
 
O senhor também foi alvo de uma comissão processante em 2003 em que havia a acusação de falsificação de assinaturas. O senhor acabou inocentado. Mas, como é passar por um processo assim? Como fica a governabilidade depois de ver que mais de dois terços da Câmara votou contra o senhor?
A comissão montada contra mim foi muito rápida. Era uma acusação muito específica e logo ficou comprovado que eu não tinha cometido nenhuma irregularidade. Os vereadores viram que não havia motivos para a minha cassação. Agora, uma comissão que tem por base um relatório que aponta irregularidades envolvendo contratos, atendimento na área de saúde e um monte de outras coisas, traz uma preocupação muito maior que no meu caso. O prefeito terá de se desdobrar para conseguir provar a sua inocência. 
 
Mas como fica a governabilidade de um prefeito que está respondendo a uma comissão processante, aberta com ampla maioria de votos, inclusive, votos da base governista?
Talvez esses problemas que poderiam surgir não apareçam tanto agora porque estamos em um ano eleitoral, em que tudo corre em um ritmo diferente. Agora é claro que, para um prefeito em exercício do seu mandato, que quer disputar uma reeleição, ter uma comissão processante contra si é extremamente desgastante. É um peso muito grande.
 
Na sua última entrevista, em junho de 2014, o senhor deu um conselho para o prefeito Alexandre Ferreira, que era para ele ter mais humildade. Hoje, qual conselho o senhor daria?
Sou um político de oposição. Ele está enfrentando uma comissão processante e não tenho como dar conselho algum. Continuo mantendo meu posicionamento de que é preciso ser humilde. Um prefeito não consegue governar se não construir diálogos, não apenas políticos, mas também com a sociedade, com empresários. Não se faz política sozinho. 
 
As eleições municipais estão se aproximando. Como será o posicionamento do PT em Franca? O partido já decidiu se terá candidato próprio?
Desde que fundamos o PT em Franca, em 1982, o partido tem lançado em todas as eleições chapas com candidato próprio. Agora não será diferente. Estamos construindo nossa própria candidatura, mas ainda não temos um nome definido. Isso deve ser decidido nos próximos meses. Mesmo com a situação difícil do partido, com todo essa repercussão em torno do impeachment contra a presidenta Dilma, estamos dialogando com outros partidos e buscando apoio. Mas, independentemente de alianças, vamos ter chapa própria. 
 
O senhor já disse que tem vontade de voltar a ser prefeito de Franca. O senhor pode ser o candidato nas próximas eleições?
Tenho essa vontade, sim. E o futuro a Deus pertence. Acho que com a experiência que tenho agora, poderia contribuir muito mais para Franca. Mas não serei candidato agora. 
 
Quem deve representar o PT na disputa então?
Ainda estamos analisando. Deve ser um nome que surpreenderá muita gente.

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