Até onde irá esta irresponsabilidade?


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Alguns fatos registrados nos últimos dias, aliados a outros no decorrer do tempo, mostram que ainda falta muito para que o Brasil se livre de empreiteiras que visam apenas ao lucro, em detrimento da segurança nas obras públicas. Os prejuízos com os diversos aditivos que a obra recebe ao longo de sua construção, a necessidade de se investir mais para reparos e o dinheiro aplicado em verdadeiros ‘elefantes brancos’ que, muitas vezes, nem saem do papel, nunca são punidos com o rigor que a questão merece. Faltam no País organismos capazes de acompanhar o investimento de governos e prefeituras, levantando preços, viabilidade e impacto de determinada construção paga pelos cofres públicos.
 
Na última quinta-feira, 21, ao menos duas pessoas morreram depois que parte de uma ciclovia, inaugurada em janeiro, rompeu após ter sido atingida por uma onda, no Rio de Janeiro. Este é mais um caso entre muitos, onde, de acordo com informações preliminares, não houve um cuidado maior visando à segurança dos frequentadores do local. Em Franca, conforme o Comércio mostrou em sua edição de quinta-feira, com rachaduras, goteiras e infiltrações desde sua inauguração, a escola municipal “Rubens Zumstein” voltou a apresentar problemas. A obra, que consumiu R$ 5,49 milhões e foi entregue há apenas três anos, terá que passar por reformas em três salas de aula e no refeitório. E o que é pior: por causa de uma falha estrutural, o prédio está se deslocando, colocando em risco a vida de alunos, professores e servidores. A Prefeitura nega que haja riscos, mas não se pode confiar, dado o histórico desta atual administração. E haja dinheiro para corrigir um erro!
 
Ainda em terras francanas, quem não se lembra das enchentes causadas nas proximidades do prédio antigo do Fórum por falta de obras que prevenissem o problema? Depois da construção do viaduto “Dona Quita” na avenida Major Nicácio, ficará muito mais caro fazer os reparos necessários do que antes da edificação. Os exemplos se multiplicam por todo o País, como uma série de obras que deveriam ficar prontas antes da Copa do Mundo de 2014, só consumiram recursos e hoje estão abandonadas. Junte-se aí o viaduto que desabou em Belo Horizonte, também em 2014, por falhas estruturais. Enquanto os responsáveis (administradores públicos e construtoras) não forem penalizados dificilmente nos veremos livres desta situação. Faltam órgãos de fiscalização e controle capazes de levar quem assim age a pagar pelos seus erros, inclusive criminalmente. Só assim teremos a certeza de que todos passarão a agir com maior responsabilidade e prudência, evitando prejuízos e riscos ao cidadão.
 
 
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