Tenho que a derrota da presidente Dilma Rousseff, até com relativa facilidade, deve ser atribuída a três fatores primordiais.
O primeiro foi a força avassaladora das ruas. A pressão popular ainda foi potencializada pelas redes sociais e isso fez com que vários parlamentares, sempre preocupados com a sua sobrevivência política, votassem pela abertura do processo de impeachment, alegando várias razões, inclusive familiares.
O segundo, foram os casos de corrupção. As cifras envolvidas assombraram o mundo. Embora não possam ser atos atribuíveis à presidente, inegavelmente tiveram o PT e a campanha à sucessão presidencial de 2014 como beneficiários diretos dessa verdadeira ‘farra do boi’.
O terceiro, muito mais até do que os decretos não autorizados pelo Congresso Nacional e as ‘pedaladas fiscais’, bases do pedido de impedimento, foi o verdadeiro divórcio da presidente com o Parlamento.
Há muito tempo ela tenta governar o país com as costas voltadas para o Congresso. Algo parecido com o que fez o ex-presidente Fernando Collor de Mello em 1992, e que resultou no seu impedimento.
Apenas os deputados de partidos mais à esquerda, como o PT, PSOL, PCdoB e PDT votaram contra. Além desses, alguns poucos de outros partidos menores, com tendência à esquerda.
O embate agora será no Senado, casa encarregada de examinar o mérito. Serão oitenta e um senadores com atribuições de juiz. É, também, colégio Eleitoral bem menor e mais fácil de ser manipulado.
As primeiras pesquisas divulgadas dão conta da existência, atualmente, de uma maioria confortável de senadores pró impeachment, mas, como se sabe, em política, a verdade de hoje pode se transformar na mentira de amanhã.
Infelizmente, enquanto nada se resolve, o país permanece estagnado, com péssimos indicadores sociais e econômicos.
SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.
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