Escola se 'move' e racha; Prefeitura acha normal


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O secretário de Planejamento Urbano, Nicola Rossano, explicou para os pais de alunos sobre a reforma que será feita na escola
O secretário de Planejamento Urbano, Nicola Rossano, explicou para os pais de alunos sobre a reforma que será feita na escola
Com rachaduras, goteiras e infiltrações desde sua inauguração, a escola municipal “Rubens Zumstein” voltou a apresentar problemas. A obra, que consumiu R$ 5,49 milhões e foi entregue há apenas três anos, terá que passar por reformas em três sala de aula e no refeitório.
 
A construção está se “mexendo”, de acordo com o engenheiro da Prefeitura, Marco Antônio Franceschi, que se reuniu com pais de alunos, ontem, e está acompanhando o caso. “Tem um erro de projeto, em que aconteceu um giro na viga que suporta a parede. A escola não está caindo, está se movimentando. Vamos evitar que essa viga continue girando, se não fizermos isso vai ter mais fissuras em paredes e pisos”, disse o engenheiro. Segundo ele, um pequeno giro resulta em grandes reflexos na parede, provocando, por exemplo, a quebra de vidros, como aconteceu em uma janela do refeitório. O engenheiro esteve na escola com o secretário de Planejamento Urbano, Nicola Rossano Costa, para esclarecer sobre a reforma necessária.
 
Em que pese a preocupação dos pais com a segurança do prédio, a prefeitura disse que não há risco. O engenheiro e o secretário apresentaram um laudo emitido por empresa de Ribeirão Preto contratada pela prefeitura para avaliar o prédio. O laudo indica que não existe risco desabamento, mas que a escola precisa de intervenções. “As intervenções são necessárias para não ter consequências a longo prazo. Daqui a 4 ou 5 anos podem surgir problemas mais grave”, disse Franceschi.
 
A situação preocupa os pais, que temem desabamentos, já que a quantidade de rachaduras tem aumentado. Alguns nem mandaram os filhos para escola nos últimos dias. “Fiquei sabendo que as paredes do refeitório têm rachaduras e que, além disso, o prédio estaria com toda a estrutura abalada. Não podemos deixar nossas crianças num lugar assim. Não vai adiantar chorar depois, se acontecer um acidente”, disse a dona de casa Maria José Macedo, 40.
 
Segundo os pais de alunos, as recentes chuvas podem ter piorado a situação do prédio, já que o terreno seria uma área de brejo. Outra mãe, que pediu para não ter o nome divulgado, decidiu tirar seu filho da escola devido ao problema. “A escola também tem uma deficiência de escoamento, porque empoça água na entrada e molha as portas das classes”, relatou a mulher.
 
Na reunião, os pais cobraram o secretário e o engenheiro sobre a demora para começar os serviços e alguns desconfiaram do parecer do laudo e temem o risco de desabamento. Diante das pressões, o secretário Nicola Rossano disse apenas: “Quero deixar bem claro que essa obra foi contratada na administração anterior e eu não tive a oportunidade de acompanhar a execução”, disse.
 
Entre as intervenções, será feito um reforço nas salas, a recuperação do talude e do reservatório de água e instalação de canaletas para capturar a chuva. As obras devem começar em julho deste ano, nas férias, e durar cerca de quatro meses. A escola tem cerca de 600 alunos matriculados do Ensino Infantil ao 5º ano.
 
Investigações
A escola, que fica no bairro Jardim Piratininga e foi entregue no final de 2012, é alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual para apurar os gastos com a sua construção. A obra estava orçada em R$ 4,1 milhões, mas o investimento final foi de R$ 5,49 milhões.
 
De acordo com o promotor de Justiça Paulo Borges, o inquérito está em andamento. “A apuração é sobre um eventual superfaturamento da obra. Uma perícia foi realizada pelo Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) e não encontrou irregularidades contratuais, mas foram pedido esclarecimentos complementares ao órgão”, disse o promotor.
 
Para apurar as questões estruturais, um inquérito foi instaurado pelo promotor de Justiça da Habitação, Carlos Henrique Gasparoto.A obra foi feita pela FFC, empresa acusada de participar de um esquema de fraudes na construção de creches municipais. O prédio foi entregue já com problemas na construção.
 

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