O mês era janeiro de 2013. Alexandre Ferreira assumia a Prefeitura de Franca com dinheiro em caixa e uma estrutura administrativa pronta, herdada de seu padrinho Sidnei Rocha. Na Câmara, o governo tinha ampla maioria. Dos 15 vereadores, 14 votavam com o prefeito. Márcio do Flórida era ironizado como a “oposição de um só”. Céu de brigadeiro. Navegação em águas calmas. Mas, Alexandre conseguiu. A abertura do processo de cassação é resultado de sua empáfia, arrogância e erros.
Convencido por seus conselheiros de que era um exímio gestor e que não precisava de ninguém para tocar a Prefeitura, cometeu erros primários de articulação política, sobretudo, na resistência em conversar com vereadores e atender pequenas reivindicações.
A tática da pressão e ameaças funcionou até certo tempo. Enquanto Alexandre permanecia recolhido à redoma de vidro e ouvia de seus fiéis escudeiros o que ele queria ouvir, sua base de apoio na Câmara se dissolvia. Perdeu nomes importantes e agregadores, como Radaeli, Valéria Marson e Marco Garcia, que havia sido seu líder em 2014. “O Alexandre é muito centralizador. Demora demais para dar respostas. Isso vai enervando. Falta dinamismo na sua equipe”, afirma o presidente da Câmara.
Os três, aliados a Márcio do Flórida, que deixara de ser a “oposição de um só”, conseguiram atrair o apoio de outros vereadores descontentes e emplacaram pesadas derrotas ao prefeito na Câmara. Foram decisivos para a abertura da CEI dos Falsários, que culminou na abertura do processo de cassação.
Hoje, o prefeito, que começou o mandato como um rolo compressor na Câmara, tem que se contentar com apoio desidratado. É a “base dos dois só”. O ditador autoritário está nas mãos dos vereadores. Se não baixar a bola e calçar as sandálias da humildade, será cassado. A oposição precisa de dez votos para dizer “Tchau, querido!”. Doze votaram pela abertura do processo contra ele.
Espantados: Tarde de segunda-feira. O vice-prefeito Fernando Baldochi, que deveria estar despachando na Prefeitura, foi com seu pai, Milton, à Delegacia Seccional e pediu para falar com o delegado Daniel Radaeli. Disse que o partido havia fechado questão e que o vereador deveria votar contra a abertura da instalação da Comissão Processante. Radaeli foi o relator da CEI dos Falsários e, claro, ignorou o “pedido” e votou sim.
Volte outra hora: Éder Brazão, funcionário comissionado de Alexandre, também deixou seus afazeres na Prefeitura, segunda-feira, foi até a casa de Adérmis Marini e o intimou a barrar a abertura do processo contra o seu patrão. Perdeu a viagem.
Números do impeachment: Sim: 367, não: 137, abstenções: 7, ausentes: 2, esposas lisonjeadas: 203, amantes zangadas: 220, filhos falando ‘ai que mico’: 300, professores de Português sofrendo infartos: 124.218.
Justificativa de voto: Em nome das vacas, dos eucaliptos, das estradas de terra e do apoio que deu à minha festa de aniversário, eu digo “Não ao golpe”, senhor prefeito.
Agora viu: “Estou na Câmara há dez anos e nunca vi uma CEI virar nada.” (Laercinho, em agosto de 2015, quando foi aberta a CEI dos Falsários).
Rodízio: Gosto de falar sobre política com o advogado Denílson Carvalho. Na semana passada, o tema de nossas conversas foi o processo de cassação contra o prefeito. Ele acreditava que a Comissão seria aberta, mas com margem pequena de votos. Eu disse que seriam pelo menos 12 votos favoráveis. Apostamos um jantar no Nonno Grill. Estou escolhendo meus convidados...
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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