Ao mesmo tempo em que as investigações da Lava Jato aprofundam as suas descobertas, colocando em primeiro plano autoridades que, há poucos anos, eram vistas como acima de qualquer suspeita, em nível doméstico também vemos os reflexos do trabalho sério que passa a colocar políticos, alguns com mandato vigente, atrás das grades. O Brasil vem mudando e, para nossa sorte, a região também vem sendo atingida pelos bons ventos da legalidade, moralidade e ética na política. A prisão do prefeito de Miguelópolis, Juliano Mendonça Jorge (PRB), acusado de fraude em licitações, é um alento diante da impunidade que se tornou arma para políticos que nunca enfrentaram a Justiça mesmo diante de desvios, fraudes e enriquecimento ilícito.
Outro fato que nos deixa mais aliviados é que, finalmente, a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Franca (foram 12 votos a favor e apenas 2 contra) aprovou a criação de uma Comissão Processante que vai analisar a cassação do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Mesmo depois de utilizar de várias manobras para tentar evitar a CP — que será formada por Daniel Radaeli (PMDB, presidente), Márcio do Flórida (PDT, relator) e Cordeiro (PSB, como terceiro membro) —, até o líder do prefeito na Câmara, Luiz Vergara (PSB), votou a favor. Agora, os membros da CP terão 90 dias para apresentar um relatório que pode (ou não) pedir a cassação do prefeito por causa dos contratos assinados com o ICV (Instituto Ciências da Vida) para a prestação de serviços médicos nos prontos-socorros da cidade. O relatório da CEI dos Falsários apontou inúmeras irregularidades, muitas admitidas pela secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini.
Depois de três anos sem que nenhuma das irregularidades e ilegalidades levadas a efeito pelo prefeito e alguns de seus assessores, com a proximidade das eleições a Câmara resolveu se posicionar. Desde o acordo fechado na surdina com a Empresa São José, ainda no primeiro ano do mandato, as investigações contra Alexandre Ferreira não prosseguiram. Caso tivéssemos um Legislativo atuante, realmente focado nos interesses da população francana, o prefeito já teria sido cassado bem antes de colocar em risco a vida de mais de cinco mil pessoas que foram atendidas por nove falsos médicos nos dois Prontos-socorros (“Álvaro Azzuz” e Infantil) da cidade. Agora, espera-se que esta Comissão Processante não se torne apenas um jogo de cena: as acusações são graves e, por causa de sua administração dissociada da ética e da moralidade, Alexandre Ferreira tem que ser responsabilizado, punido e relegado ao limbo da história francana. Só assim, outros que pretendam seguir o mesmo caminho do prefeito se sentirão desmotivados.
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