O prefeito da cidade de Miguelópolis, Juliano Mendonça Jorge (PRB), foi preso durante a Operação Cartas em Branco, deflagrada na manhã de ontem por promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do núcleo de Franca e pela Procuradoria Geral de Justiça. O objetivo da operação é combater uma organização criminosa que estaria instalada na Prefeitura de Miguelópolis e que teria fraudado mais de R$ 6 milhões em licitações nos últimos anos.
De acordo com o Ministério Público, outros 13 envolvidos também foram presos. Um outro, que também teve a prisão temporária decretada, está foragido. Mais de 75 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas casas de investigados e nas sedes de empresas suspeitas de envolvimento no esquema. Além de Miguelópolis,as cidades de Franca, Pedregulho, São Joaquim da Barra, Itirapuã, Ribeirão Preto, Jaú, São José do Rio Preto, Barretos, Guaíra, Bocaína e Guatapará também foram abrangidas.
Juliano Mendonça Jorge tentou evitar a entrada dos policiais na sua residência e foi encontrado escondido dentro da casa de máquinas da piscina. O prefeito, que tem foro privilegiado devido ao cargo que ocupa, foi apresentado na Delegacia Seccional de Franca, onde passou por exame de corpo de delito. Logo depois, foi escoltado por três investigadores da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e encaminhado para o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. A expectativa é que ele seja ouvido ainda hoje.
Onze envolvidos foram trazidos para o 3º Distrito Policial e, posteriormente, encaminhados para a Cadeia do Guanabara. Dois foram detidos na cidade de Jaú, região de Bauru. A previsão é que eles comecem a ser ouvidos pelos promotores do Gaeco hoje. As denúncias devem ser feitas por fraudes em licitações, formação de cartel, falsificação de documentos e participação em organização criminosa.
A assessoria de imprensa da Prefeitura de Miguelópolis informou, por meio de nota, que está aguardando um parecer mais detalhado do Ministério Público para que todos os pontos sejam devidamente explicados.
Investigação
As suspeitas começaram a ser investigadas pelo Gaeco em março de 2015, após denúncias de que a Prefeitura de Miguelópolis estaria realizando diversas licitações fraudulentas, especialmente na modalidade de carta convite. No dia 26 de março daquele ano, foi realizada uma diligência e foram apreendidos diversos procedimentos licitatórios com indícios de fraudes. Interceptações telefônicas de diversos suspeitos também foram realizadas. Servidores e ex-servidores da Prefeitura, incluindo funcionários do Departamento de Licitações e advogados, estão entre os investigados.
Com o andamento das investigações, que indicaram que a organização criminosa seria comandada por Juliano Mendonça, o Gaeco encaminhou a investigação para o Procurador Geral de Justiça, responsável por investigar e processar prefeitos.
Após a conclusão de parte das investigações, foi solicitado ao juízo da Comarca de Miguelópolis a prisão temporária de 28 investigados, além de mandados de busca e apreensão. O juiz deferiu a prisão temporária de 14 investigados e os mandados de busca e apreensão, todos cumpridos na manhã de ontem. As fraudes envolveriam licitações em vários setores, entre eles saúde, educação e transporte.
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