A Câmara Municipal de Franca viveu nesta terça-feira, 19, um momento histórico. Pela primeira vez, os vereadores aprovaram a abertura de um processo de cassação contra um prefeito. Não sem muita pressão e confusão. Foram votados três pedidos contra o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Todos aprovados. Agora eles darão início a um processo de cassação que é comandado por uma Comissão Processante. O prefeito deve ser notificado do resultado dentro de cinco dias.
A movimentação na Câmara começou cedo. Antes mesmo das 8 horas, o programa Hora da Verdade, da Rádio Difusora, já montava seu estúdio dentro do plenário para acompanhar minuto a minuto da sessão histórica. Aos poucos, a população foi chegando e tomando conta do plenário. Mais de 200 pessoas compareceram para assistir a votação dos pedidos. Com cartazes de "fora Alexandre", o público pedia o voto sim à abertura do processo.
Nos bastidores, articuladores do prefeito Alexandre Ferreira pressionavam os vereadores a votar contra a abertura de uma comissão processante. Vereadores que já haviam declarado voto sim, como o Zezinho Cabeleireiro (PPS), chegaram a repensar seus posicionamento.
Lider do governo na Câmara, Luiz Vergara (PSB) tentou várias manobras para evitar a votação. Primeiro apresentou um parecer da Comissão de Justiça da Câmara, da qual ele e o vereador Donizete da Farmácia (PSDB) fazem parte,pedindo o indeferimento do requerimento de comissão processante feito pelo jornalista Marcelo Bomba, segundo Vergara, mesmo já tendo sido candidato a prefeito na cidade, o jornalista não seria eleitor francano.
O que foi negado pelo presidente da Câmara, Marco Gardia (PPS). Depois Vergara argumentou que o quorum para a aprovação do pedido seria de dois terços da camara e não de maioria simples como o anunciado pelo presidente do Legislativo. Novamente foi voto vencido.
Sem outra alternativa, Vergara ainda tentou protelar a sessão para que a votação dos requerimentos de cassação ficasse para o período da tarde. Mas de novo não teve sucesso.
Iniciada a votação, doze vereadores, inclusive o próprio Vergara, pressionados pela população presente, votaram sim. Laercinho (PMDB) e Donizete da Farmácia foram os únicos votos contra.
Durante a votação dos requerimentos, houve duas confusões que quase acabaram em vias de fato. Ambas envolvendo apoiadores de Donizete da Farmácia e pessoas a favor da abertura do processo de cassação. As confusoes foram contidas pela Policia Militar.
Ao final desta primeira parte da sessão, foram sorteados os nomes dos membros que farão parte da Comissão Processante,que comandará o processo de cassação.
Os sorteados foram Daniel Radaeli (PMDB) como presidente, Márcio do Flórida (PDT), relator, e Cordeiro (PSB) terceiro membro. Como suplentes, foram sorteados Marcelo Valim (PSD), Nirley de Souza (PP) e Valéria Marson (PSD).Os membros da comissão devem se reunir ainda nesta semana para definir a notificação do prefeito sobre a abertura do processo e os próximos passos.
A comissão tem prazo de 90 dias para apresentar um relatório a favor ou contra a cassação. O relatório será lido e votado em plenário. Para o prefeito ser cassado, serão necessários dois terços da Câmara, ou seja, 10 votos.
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CONFUSÃO MARCOU A SESSÃO
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