Passando o Brasil a limpo. Mesmo...


| Tempo de leitura: 2 min
A aprovação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados, domingo, foi o primeiro passo. Agora, não apenas a classe política mas todos os brasileiros precisam atuar juntos para que se faça uma verdadeira limpeza — moral e ética — nas nossas instituições. O Brasil que prega a defesa da legalidade não pode, caso o impedimento de Dilma também passe no Senado, festejar e varrer a sujeira que restar para debaixo do tapete. É preciso que a faxina seja total, para que a corrupção, um dos maiores males que atravancam o crescimento da Nação, seja extirpada como um câncer maligno.
 
A transmissão da sessão de domingo, que mobilizou todo o País, permitiu aos brasileiros conhecerem mais claramente os seus representantes eleitos. Muitos daqueles que defenderam Dilma com unhas e dentes no pleito de 2014, que deu à chefe da Nação o segundo mandato, surgiam defendendo a legalidade e fazendo homenagens aos pais, mães, esposas, filhos, às suas convicções religiosas e pessoais. Poucos foram os que citaram o motivo pelo qual o processo foi instaurado — o crime de responsabilidade cometido pela presidente, ao assinar decretos de crédito suplementar sem aprovação do Congresso e as “pedaladas fiscais” ao se valer de “empréstimos” de bancos oficiais para pagamentos de programas sociais e benefícios previdenciários. É bom ressaltar que Dilma admitiu as “pedaladas”.
 
Já os defensores do mandato da presidente mantiveram o mesmo lengalenga dos últimos meses, considerando o processo um golpe contra a vontade do brasileiro. No governo ninguém gosta de lembrar que embora Dilma tenha sido eleita por ter conseguido mais votos do que seu adversário Aécio Neves (PSDB), ela não obteve apoio da maioria, já que recebeu 54,5 milhões de votos enquanto 83,1 milhões de eleitores optaram por outro caminho, escolhendo Aécio, votando em branco ou deixando de comparecer. Ou seja, a maioria dos eleitores brasileiros não a queria no Planalto.
 
A partir da decisão de domingo, espera-se que o Brasil continue a faxina, tirando da vida pública todos aqueles que, comprovadamente, utilizem seus mandatos para conseguir vantagens pessoais. Os 150 deputados e senadores citados nas delações da Lava Jato, o próprio presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), diretores e empreiteiros corruptos, todos precisam ser julgados e condenados. Ao eleitor, cabe acompanhar o histórico de seus candidatos e não apoiar quem se utiliza de um populismo rasteiro que só mascara as suas verdadeiras intenções. Cabe à Justiça julgar e condenar, mas cabe a todos nós buscarmos a melhoria de nossas instituições com a principal arma que temos: o voto.
 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários