Francanos protestam por 15h pelo impeachment de Dilma Rousseff


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O protesto na praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro da cidade, começou pouco antes das 10 horas e levou mais de duas mil pessoas às ruas na manhã de domingo, no ápice do movimento
O protesto na praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro da cidade, começou pouco antes das 10 horas e levou mais de duas mil pessoas às ruas na manhã de domingo, no ápice do movimento
No domingo histórico, em que foi aprovada pela Câmara dos Deputados, a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), as manifestações em Franca começaram logo cedo e se estenderam até o início da madrugada de segunda-feira. Foram mais de 15 horas de vigília e protestos. 
 
Organizado pelo grupo Inconformados Francanos, com o apoio da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca), o protesto na praça central da cidade começou pouco antes das 10 horas e levou mais de duas mil pessoas às ruas. Francanos com camisetas em verde e amarelo, bandeiras, faixas e apitos fizeram parte do cenário que se formou. A foto histórica de Dilma, usada em protestos anteriores com a frase “Fora Dilma”, também foi pendurada em uma das árvores. A capa do jornal Comércio da Franca, que estampou no domingo um Tchau, Querida?, também foi usada por manifestantes.
 
Um telão com a transmissão das notícias e das manifestações por todo Brasil foi montado na concha acústica. Ruas do Centro foram fechadas desde as primeiras horas da manhã. A Polícia Militar acompanhou todo o movimento. Os PMs ficaram espalhados pela praça em grupos. 
 
O monsenhor José Geraldo Segantin, da Catedral, foi o primeiro a discursar. Ele defendeu a saída de Dilma e comandou uma oração com os presentes. O presidente da Acif, Dorival Mourão Filho, carregava uma bandeira do Brasil no pescoço e também defendeu o impeachment. “Convocamos nossos associados e foi maravilhoso ver o povo protestando na praça num dia de sol, em que as pessoas poderiam estar se divertindo com suas famílias. Estamos sofrendo muito com a crise e temos que mostrar nossa cara, dizer não ao que está acontecendo no país. Precisamos recolocar o Brasil nos trilhos.”
 
Entre as presenças nas manifestações pela manhã, apenas dois vereadores. Valéria Marson (PSD) e Adérmis Marini (PSDB) foram os representantes da Câmara Municipal. O assessor legislativo do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), Edvaldo Costa, também apareceu. Diferente do último protesto, a primeira-dama do município, Cynthia Milhim Ferreira, não foi vista. Em março, ela foi duramente criticada pela participação no movimento. 
 
A manifestação no Centro, aos poucos, foi se esvaziando. Às 14 horas, quando começou a sessão de votação do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, apenas 70 pessoas acompanhavam a transmissão pelo telão instalado na praça da Catedral. 
 
Durante toda a tarde, vestidos de verde e amarelo, francanos a favor do impeachment exaltavam os deputados que discursavam pelo prosseguimento do processo. Enquanto isso, cerca de 15 jovens, vestidos de vermelho, também acompanhavam a sessão e gritavam contra o “golpe”.
 
No início da noite, os francanos permaneciam na praça Nossa Senhora da Conceição, acompanhando a declaração de voto de cada um dos mais de 500 deputados federais. Mesmo cansado, um dos coordenadores do protesto de domingo, o cabeleireiro Marcos Antônio Silva, o Japa, também acompanhava o grupo. “Estou aqui desde as 6 horas. Não comi quase nada e não saí da praça um minuto. Vou ficar até a aprovação do impeachment.”
 
Quando o placar apontou que faltavam dez votos para a aprovação da Câmara, Japa subiu ao palco da Concha Acústica e comandou uma contagem regressiva. Os manifestantes se aglomeraram próximo ao telão e vibravam gritando e cantando a cada “sim”.
 
Quando o deputado Bruno Araújo, do PSDB de Pernambuco, deu seu voto sim ao impeachment, completando os 342 necessários para o prosseguimento do processo contra Dilma, os francanos foram ao delírio. A festa tomou conta dos favoráveis à saída de Dilma do governo, com direito a música, abraços e chuva de papel picado.
 
Para o representante comercial Bruno Madeira de Carvalho, 49 anos, o resultado representa o recomeço do país. “O resultado é o início do fim da Era PT e do governo de esquerda, que vinha devastando o Brasil. É hora de recomeçar. Agora vamos começar a alimentar um Brasil novo, um Brasil dos brasileiros e verde-amarelo. Chega de vermelho.”
 
Japa também comemorou. “Estou feliz. É um dia histórico para o país. Mas é também apenas mais um passo. Ainda temos que enfrentar a votação do Senado e novamente estaremos aqui, em praça pública, lutando pelo Brasil.”
 
Depois de encerrada a votação, os manifestantes ainda fizeram uma carreata pelas ruas da cidade para comemorar o resultado.

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