Foro privilegiado


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O assunto atual é o impeachment de Dilma. Uns contra, outros a favor, clima de intolerância toma conta de bares, do almoço de domingo, plenários e ruas. Porém, pouco se diz a respeito de anacronismo que paira esquecido sobre nossa vida política: foro privilegiado. 
 
Se não fosse por essa artimanha extemporânea, que um dia já foi estratégia inteligente para tentar equilibrar um pouco o poder autoritário de ditaduras e reis, talvez não estivéssemos nesse clima de empurra-empurra que toma conta do país.
 
Se considerarmos as pessoas que estão há praticamente um ano articulando a política brasileira e, por consequência, a tese do impeachment, quase todas elas suspeitas de terem praticado fraudes, poderíamos considerar que não fosse esse tal de foro privilegiado, não estaríamos passando por esse delicado momento de nossa vida republicana, mais suposta que concreta, quase como uma terra prometida para os hebreus.
 
Se esses políticos fossem considerados cidadãos comuns, como deveria ser em uma democracia republicana, e estivessem livres para a investigação de um juiz Moro, por exemplo, não teria sobrado pedra sobre pedra. Cunha, Lula, Temer, Aécio, Renan, Dilma e muitos outros talvez estivessem almoçando hoje na Papuda, e não articulando sobrevivências, cargos e futuros políticos.
 
Por isso, é hora de começar a discutir essa excrescência de foro privilegiado. Já não vivemos sob ditadura. Esperar que supremos togados e teatrais corram atrás dessa canalhada e deixem de lado interesses políticos é dar muita sopa para o azar. A prerrogativa do foro privilegiado faz do Congresso lugar seguro para qualquer tipo de picareta. É só olhar o número de congressistas investigados para se ter uma ideia do tamanho da encrenca.
 
Pelo bem de nossa república democrática, que infelizmente para nós ainda é mais uma utopia do que uma realidade, é hora de acabar com essa artimanha. Deixemos que Moro cuide dessa corja. No futuro, o próprio Congresso agradecerá. 
 
 
Maurício Buffa
Consultor de negócios

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