Negligência e irresponsabilidade


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Enredado em um roteiro criado pelos seus próprios erros, diante da possibilidade real de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o governo federal esqueceu-se, nos últimos meses, que o mundo continua girando, o Brasil depende de políticas públicas e que enfrenta epidemias causadoras de mortes, como a gripe H1N1 e a proliferação dos vírus do zika e da dengue. Não há, pelo menos de parte do Ministério da Saúde, qualquer plano de enfrentamento que não seja o que já vinha sendo feito, com alguma negligência, permitindo que as contaminações se ampliassem. Pelo menos nos últimos 30 dias não se viu qualquer movimentação no Ministério, que perde verbas essenciais de acordo com a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) ainda não aprovada no Congresso Nacional por causa da crise política que paralisa o Brasil e amplia a recessão econômica na qual o País está mergulhado.
 
Com a confirmação da primeira morte pela H1N1 em Franca, além de outros quatro casos suspeitos, vê-se que o governo federal está negligenciando irresponsavelmente o perigo a que os brasileiros estão expostos. No caso da gripe, a insuficiência de doses da vacina deixa bem clara a forma como as coisas estão sendo feitas. Já a respeito do zika — que causa milhares de mortes e está intimamente ligado com o crescimento de casos de microcefalia no País — e da dengue, o governo federal não se mexe e está deixando por conta dos Estados e municípios o trabalho efetivo de combate ao mosquito aedes aegypti. Atitudes isoladas, como vistorias em residências ou soltura de insetos geneticamente modificados não estão surtindo os efeitos esperados e, caso não haja uma efetiva ação do Ministério da Saúde, dificilmente o Brasil será capaz de fazer frente a estas doenças.
 
Epidemias como as citadas precisam ter um acompanhamento próximo e combate implacável. A gripe H1N1 é um exemplo claro do que não se deve fazer: somente depois que a doença começou a se alastrar o governo federal mostrou preocupação, mas somente agora, meses após o aparecimento do primeiro caso, é que se inicia a vacinação dos principais grupos de risco. Uma resposta imediata poderia impedir algumas das mortes já registradas até aqui. No momento, ainda não há vacinas suficientes para o atendimento de todos, o que tem causado filas e a procura por clínicas particulares para a vacinação. Caso o governo operasse como se espera, a crise política não seria desculpa para a falta de ação. Como no Brasil sempre se procura mais remediar do que prevenir, não será surpresa se surgirem outras epidemias para as quais a resposta também será tardia. Para o azar de todos os brasileiros.
 
 
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