Ao fim do dia de amanhã, Dilma Rousseff poderá não ser mais presidente da República. Na terça, o prefeito Alexandre Ferreira poderá ter, contra si, uma CP (Comissão Processante), por ter cometido crime de responsabilidade na contratação do ICV, instituto que levou falsos médicos a atuarem na saúde pública francana, e por garanti-los em várias renovações de contrato.
Não há alegria. O jornalista norteamericano Gleen Greenwald — que contou sobre o programa de vigilância global dos EUA com documentos fornecidos por Edward Snowden — reside no Brasil e tem visão própria da crise política e ética brasileira. Não nasceu aqui. Tem o distanciamento necessário para fazer fria análise do cenário. Considera Dilma vítima do projeto de poder do PT. Segundo ele, parece ser ela a única dentre os envolvidos ou denunciados, não apontada como beneficiária de propinas.
Entende que será apenada por ser a imagem pública do partido. Vê movimento dos partidos opositores e mídias poderosas para desapea-la, e ao PT, do poder, e assumi-lo. ‘O PT é, sim, profundamente corrupto e banhado em escândalos, mas, virtualmente, assim também o são todos os grupos políticos que trabalham para minar o partido e obter o poder que foi democraticamente entregue a ele’. Concordo com ele. Não há em quem confiar para o day after, seja lá quem for.
Quinta-feira última recebi imerecido convite do rotariano Antônio Carlos Ribeiro (governador substituto do Grupo 3, Distrito 45/40 de Rotary Internacional) para ir ao Rotary Sul e receber homenagem pelo Dia do Jornalista, ocorrido este mês. Fui recepcionado pelo presidente Matheus Lima Paiva; pelo diretor de Protocolo Alessandro Palma, e pelo secretário Júlio Biondi. Reencontrei companheiros desse clube que ajudei a fundar em 1982, bem como o agente Sandro Marcos Silva, agente da Polícia Civil, e o Major Maurício Costa Curta, sub-comandante do 15º BPM/I de Franca, também homenageados.
Depois de aula de história e cidadania proferida pelo ex-comandante do 15º BPM/I, o hoje rotariano João Paulo de Macedo Brandão Júnior, tive a chance de trocar ideias com o grupo sobre o atual momento brasileiro. Falei-lhes sobre a indispensável mudança de comportamento que o brasileiro precisa praticar. Há que se sensibilizar mais e mais cidadãos a não votarem apenas por obrigação, a pesquisar usos e costumes dos candidatos, estudar suas histórias.
Depois de eleger, a regra indispensável é não dar-lhes sossego. Políticos têm que ser fiscalizados, cobrados quanto às propostas de representação que nos apresentaram. Se necessário, temos que apená-los! Cresce o número de eleitores que, de posse do número do telefone de seu representante, não se cansa de cobrá-lo por posições dúbias ou escorregões éticos. Vale telefonar, utilizar WhatsApp, enviar e-mail. Homens públicos, pagos por nós, têm que ser funcionários exemplares, e nós, patrões exigentes.
Repito. O que estamos vivendo é culpa nossa. Tornamo-nos solidários quantos permitimos que nossos representantes pratiquem bandidagens sem cobranças. A continuar assim, jamais teremos o Brasil que sonhamos. Neste momento histórico que vivemos, temos que agir, mesmo sabendo que resultados só aparecerão, no mínimo, daqui duas gerações.
AMANHÃ, NA PRAÇA: Nilton Colmanetti, ex-comandante do 15º BPM/I de Franca, também no Rotary Franca Sul, fez a saudação final do encontro. Organiza, junto a outros inconformados, movimento de vigília que ocorrerá amanhã, saindo da frente da Escola ‘Cel. Francisco Martins’, por volta de 9h30, até à Concha Acústica. No telão, até acabar, a votação do processo de impeachment da presidente Dilma. Mostre sua cara mas, sobretudo, saia de seu quadrado. Esforce-se para que os cidadãos dos quadrados dos lados também façam o mesmo.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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