Reunidos em assembleia no final da tarde de ontem, 14, os sapateiros de Franca decidiram aceitar a proposta do sindicato patronal e, assim, descartar a possibilidade de greve que vinha sendo cogitada. Lida de modo efusivo pelo presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Sebastião Ronaldo, a proposta garante um reajuste de 11,08% a partir de maio, com data retroativa a 1º de março.
A votação foi feita na rua Diogo Feijó, ao lado da sede do sindicato, na Estação. A via foi fechada para os mais de cem trabalhadores que ergueram as mãos em aprovação ao aumento apresentado pelos patrões.
Desde o último dia 31 de março, a categoria estava em estado de greve depois de recusar a proposta de 9,5% feita anteriormente pelo Sindifranca (Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca). Na ocasião, Ronaldo considerou o índice uma provocação à classe trabalhadora.
Em uma nova rodada de negociação, dessa vez realizada no Ministério do Trabalho, o intermediador fez a proposta dos 11,08% referentes a reposição inflacionária de março de 2015 até o mesmo período de 2016. Na reunião também foi acertado o retorno de três cláusulas que haviam sido retiradas da convenção coletiva, entre elas a da validade do uso do abono escolar para compra de calçados e vestuário e a que garante estabilidade para funcionários atiradores do Tiro de Guerra.
“Descartamos a greve e, agora, com a proposta aprovada, vamos informar o Sindifranca que o reajuste foi aceito e encaminharemos a redação da convenção coletiva para em seguida assinar o acordo”, explicou Ronaldo sobre os próximos passos.
Para o líder sindical, a negociação com os patrões foi cansativa, principalmente em função do momento econômico, o que teria dificultado o avanço dos direitos dos trabalhadores. “Na fase dos 9,5% foi recusada, pois não cobria os aumentos do período. A categoria entendeu e nós continuamos a mobilização. Naquele momento não tinha jeito de fechar acordo”.
Sebastião Ronaldo ressaltou ainda, que após a intervenção do Ministério do Trabalho o valor apresentado alcançou a reposição salarial do período e ganhou a confiança do trabalhador. “Essa foi uma decisão da categoria, que participou de todo o processo. No início houve medo da crise, mas depois os trabalhadores se envolveram e participaram das assembleias na porta das empresas. Há muito tempo não víamos os trabalhadores na rua reivindicando seus direitos”.
Histórico
Inicialmente, os sapateiros pediram aumento de 25%, percentual que seria a soma das perdas, aumento real e lucratividade. Na pauta apresentada ao Sindifranca, a categoria também reivindicou uma PLR (Participação de Lucros e Resultados) de 220 horas, melhoria do abono salarial e fim do banco de horas. Os padrões recusaram e alegaram dificuldade em decorrência da situação da economia. Após muita conversa, o primeiro reajuste oferecido foi de 6,5% e acabou rejeitada por unanimidade pelos trabalhadores.
Novas rodadas foram feitas e a proposta avançou para 9,5%, quando novamente não foi aceita pela categoria que decretou estado de greve.
Agora com a aprovação do reajuste de 11,08%, o pagamento aos trabalhadores com a diferença começará a ser feita no próximo mês. Segundo o Sindicato dos Sapateiros, o piso salarial da categoria até então era de R$ 980.
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