“Mais do que ninguém, sabia que educação, os filhos têm que aprender em casa”
Morreu aos 35 minutos do dia 13 de abril, no Hospital Regional de Franca, a senhora Elvira Barcelos do Nascimento. Tinha 84 anos. Há 40 dias, foi internada para procedimento médico simples. “Mamãe tinha um coágulo no braço, e houve necessidade de que passasse por pequena cirurgia. Infelizmente seu organismo não se recuperou como o esperado. Debilidade própria da idade avançada não lhe permitiu vencer insuficiência cardiorrespiratória que a acometeu, seguida de AVC”, disse o filho Wanir.
Nasceu na Fazenda Borda da Mata, filha dos agricultores Hilário Barcelos Ferreira e Eufrázia Maria de Barcelos. Foi registrada em Pedregulho (SP). Em Franca, cursou seus estudos fundamental e médio, tornando-se professora. Atuou em escolas rurais de Claraval (MG) antes de tornar-se comerciante na Joalheria Caio Silva, de Franca.
Casou-se com Oswaldo Roberto do Nascimento, à época inspetor do Banco Moreira Salles/Unibanco, de Franca. Do enlace, três filhos (Wanir Roberto, ex-gerente dos bancos Crédito Real, Mercantil de São Paulo e Unibanco, hoje, assessor de diretoria da MSM Produtos para Calçados, casado com Sônia Maria do Nascimento; Wander Roberto, gerente aposentado do Banco do Brasil, casado com Solange Ferreira Lemes; José Roberto Neto, o Beto, gerente aposentado do Banco do Brasil, casado com Cláudia Garcia do Nascimento), e três netos, Guilherme, Rodrigo e Natália.
Com seis anos de casamento, uma tragédia se abateu sobre ela e os filhos, o marido e pai, vitimado por acidente automobilístico, morreu. Viúva, mas determinada e focada, se tornou pai e mãe dos filhos que cresciam. “Mamãe foi uma mulher guerreira como poucas. Procurou a Caio Silva, onde já havia trabalhado, contou seu drama e imediatamente foi readmitida, e como gerente, por sua experiência anterior e pela confiança nela depositada pelo fundador da empresa”, disse Wanir. Trabalhou lá por 22 anos. Para completar o orçamento doméstico, bordou milhares de mangas de camisetas com os nomes de escolas que, naquela época, os estudantes em seus uniformes.
“Passava todo o dia no trabalho. Em casa éramos cuidados por vovó Eufrázia com zelo e carinho. À noite, mesmo cansada, mamãe jamais deixou de nos reunir, conversar sobre os acontecimentos do dia, saber de nossas vitórias e dificuldades na escola, verificar no que podia nos ajudar. Dela, por herança, recebemos lições de simplicidade, honestidade e amor ao próximo. Foi pai, mãe e amiga, sempre nos orientando para o bem. Foi severa quando precisou ser. Mais do que ninguém, sabia que educação, os filhos têm que aprender em casa. Lições supremas para nós aconteceram quando ela passou a nos levar em visitas a idosos asilados. Mostrou-nos, na prática, as dificuldades da vida e ensinou sobre a força que deveríamos interiorizar para sermos felizes e proativos em nossas vidas pessoal, familiar e profissional”, disse Wanir.
Filhos crescidos e já trabalhando (Beto, o mais novo, ingressou no Banco do Brasil aos 14 anos, como contínuo, e chegou à gerência), finanças domésticas melhor enfrentadas, Elvira pôde, enfim, dedicar-se, por mais tempo, a causas que muito a orgulharam: a Apae e roupeiros de igrejas católicas, a Santo Antônio entre elas.
Seu velório aconteceu no São Vicente de Paula. Lá estiveram irmãos de maçonaria de Wanir (que foi Venerável da Loja Maçônica Três Colinas) e de Beto (da Loja Maçônica São Paulo), familiares e amigos. “Muitas pessoas se manifestaram publicamente. Na pessoa de dona Mariinha Puglia Botelho, amiga de muitos anos de Elvira, a família agradeceu aos que lhe levaram conforto. O sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, aconteceu dia 13, 16 horas, no Cemitério da Saudade.
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