Pai de vítima pede abertura de processo contra prefeito


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O comerciante Silson Ribeiro da Silva protocolou ontem um pedido de Comissão Processante contra Alexandre Ferreira
O comerciante Silson Ribeiro da Silva protocolou ontem um pedido de Comissão Processante contra Alexandre Ferreira
O comerciante Silson Ribeiro da Silva protocolou, ontem à tarde, na Câmara, pedido de abertura de uma CP (Comissão Processante) contra o prefeito Alexandre Ferreira, com base no relatório final da CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara, que apontou indícios de crime por parte do prefeito e pediu seu indiciamento e a abertura de uma comissão processante. 
 
Na terça-feira, o blogueiro Marcelo Bomba também já havia oficializado solicitação com a mesma finalidade. Qualquer cidadão pode fazer o pedido. A Câmara espera que pelo menos outras duas pessoas tomem a mesma medida até a sessão de terça-feira, quando os vereadores vão decidir pela abertura ou não do processo, que poderá levar à cassação de Alexandre Ferreira (PSDB). 
 
Silson sentiu na pele o que é depender do sistema de saúde oferecido pelo município. Ele é o pai da auxiliar de administração Luara Prieto Ribeiro, que morreu aos 25 anos,na madrugada do dia 8 de janeiro de 2014, no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) da Santa Casa depois de enfrentar um verdadeiro calvário. Antes, ela havia passado oito vezes pelo pronto-socorro municipal.
 
Na época, os médicos disseram que ela estava com infecção urinária, mas o laudo da autopsia feito por um perito do IML (Instituto Médico Legal) apontou uma hemorragia e não encontrou indícios de infecção. Além dos pais de Luara, a família de outras sete pessoas, que morreram após atendimento na rede pública, acusam instituições de saúde de negligência.
 
Os casos vieram à tona antes da descoberta da atuação de, pelo menos, nove falsos médicos no pronto-socorro municipal. Agora, baseado pelo relatório final da CEI, o pai de Luara decidiu ingressar com o pedido para que os vereadores investiguem a conduta do prefeito. Alexandre Ferreira contratou, sem licitação, o instituto que trouxe os falsos médicos para trabalhar em Franca. O ICV recebeu R$ 22 milhões dos cofres públicos. “Aconteceram muitas coisas erradas. A contratação dos falsos médicos é inadmissível. O povo está sofrendo demais. Eu não acho isto justo. Entrei com o pedido para ver se a gente consegue mudar a situação. Os responsáveis pelas falhas precisam ser punidos”, disse o comerciante.
 
Silson afirmou que dois anos após morte de Luara, a família não recebeu qualquer tipo de explicação por parte do município. “Até hoje, não sei o que aconteceu. A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, nunca veio a público explicar porque a minha filha morreu. Nunca teve um pedido de desculpa. Ninguém da Prefeitura me procurou. Há dois anos estou procurando Justiça e nada aconteceu. Está na hora de dar um basta nesta situação”.
 
O pai de Luara espera que os vereadores “cumpram o papel de fiscalizadores e que não se furtem de abrir o processo de investigação contra o prefeito”. “É uma questão de bom senso”, disse ele. “Não só eu, mas os familiares de todas as vítimas esperam que seja feita justiça. A população tem que ir à Câmara terça-feira e cobrar os vereadores”, finalizou.
 
Os pedidos de abertura de comissão processante contra o prefeito serão votados na próxima sessão da Câmara, dia 19, a partir das 9 horas. Sete vereadores são favoráveis à abertura da CP; dois vereadores afirmaram que são contra o processo e outros seis ainda estão em dúvida se Alexandre deve ou não ser investigado. 
 

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