Crise escancara a vulnerabilidade


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A crise econômica do Brasil atinge todos, principalmente o setor produtivo, que não está conseguindo manter seus compromissos em dia em razão da queda na produção e do aperto no crédito. Um grupo de empresas que ganhou escala nos últimos anos, mas que ainda não estão com gestão totalmente profissionalizada, mostra-se mais vulnerável neste momento de vendas em baixa e aperto do crédito. Consideradas até pouco tempo atrás a “mola propulsora” do crescimento econômico, as médias empresas — indústrias, varejistas e prestadoras de serviços que geralmente têm controle familiar e faturam de R$ 20 milhões e R$ 500 milhões por ano — agora se veem ameaçadas pela turbulência econômica que não parece ter data para terminar. Segundo levantamento feito em 2015 pela área corporativa do HSBC, há 7,7 mil negócios do gênero no País, que respondem por 13,7% do total nacional de empregos.
 
Grandes bancos hoje oferecem a negócios que faturam centenas de milhões de reais as mesmas condições de microempresários. Os balanços desses bancos refletem a gravidade da situação atual dos pequenos e médios negócios. No Itaú, a inadimplência das PMEs é 277% maior do que a das grandes companhias; no Bradesco, a diferença é de 1.000% e os calotes chegam a superar os das pessoas físicas. As taxas de juros para refinanciar empresas médias hoje encosta em 20% ao ano. E isto tem tornado ainda mais difícil a vida dos empresários do setor, que tentam se manter no jogo sem que haja prejuízos aos empregos que proporcionam. Mas, da mesma forma como a situação está difícil para os grandes conglomerados, as PMEs estão sendo obrigadas a reduzir empregos e, o que é pior, fechar as portas. Os exemplos são vários, inclusive em Franca, onde empresas médias tradicionais fecharam e deixaram um rastro de desemprego, vagas que ainda não foram recuperadas.
 
A falta de uma política pública para micro, pequenas e médias empresas é apontada como a principal razão desta situação. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), sob a batuta do governo petista, prefere investir (e perder dinheiro) em grandes projetos, relegando às PMEs algumas migalhas que não são suficientes para que honrem seus compromissos. Muitas vezes, o empresário precisa recorrer a linhas de crédito convencionais, com juros bem acima de 200% ao ano, pois não conta com capital de giro suficiente para continuar funcionando sem causar prejuízos a seus investimentos ou aos empregos que proporciona. É necessário que existam regras claras que criem benefícios para os pequenos e médios empreendimentos familiares, cuja existência causa grande impacto na economia nacional.
 
 
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