Um esquema de tráfico de drogas com proporções internacionais foi desmantelado por policiais da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Franca. No último fim de semana, um comerciante, de 33 anos, e um agricultor, de 62, foram pegos com uma grande quantidade de cocaína oriunda da Bolívia. O entorpecente estava sendo descarregado em uma casa do Parque Progresso. Além disso, ao ser preso em flagrante, o idoso tentou subornar um investigador, oferecendo R$ 50 mil para se livrar da cadeia.
A apreensão aconteceu no final da noite de sábado graças à uma denúncia anônima de que o comerciante DWV estaria vendendo cocaína em sua residência, na companhia do agricultor JAC. Este, por sua vez, seria o responsável por trazer o entorpecente da Bolívia para Franca.
Os policiais da especializada, após campanas e um trabalho de investigação, constataram que vários usuários entravam e saiam do local e que os traficantes mantinham olheiros em uma praça nas imediações para avisar caso alguém tentasse “atrapalhar” os negócios.
Com um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça, os investigadores entraram na casa de DWV. Na ocasião, ele havia acabado de chegar com JAC e carregava uma sacola contendo cocaína. Ambos tentaram disfarçar, cada um a sua maneira: o comerciante disse que o pó branco encontrado em um dos quartos era “farinha de bolo”. O idoso, quando viu os policiais com um tijolo de pasta-base de cocaína em mãos, localizado em um cesto plástico, afirmou que “se tratava de soda para fazer sabão”.
Enquanto os agentes encontravam mais porções do pó no guarda-roupas do quarto do agricultor, ele tentou fugir para o banheiro com um saquinho contendo cocaína. Mas o delegado Djalma Batista e os policiais foram atrás, impedindo que ele jogasse a droga na privada e desse descarga. O suspeito foi algemado e, ao se aproximar de um dos investigadores, lhe ofereceu R$ 50 mil para ser solto. “Ele já ficou preso por tráfico e ainda tentou subornar um policial”, disse Batista.
O comerciante e o agricultor foram levados à Dise e continuaram negando que eram traficantes. Porém, a perícia constatou que era cocaína as porções e os 330 gramas de pó branco que estavam em um saco apreendido. Além disso, em dois aparelhos celulares dos acusados, os policiais encontraram mensagens suspeitas no WhatsApp. Em algumas delas, JAC conversava em espanhol com uma mulher negociando a venda de drogas da Bolívia para Franca. Depois, a pasta-base de cocaína seria vendida a maior preço em São Paulo.
A dupla foi autuada em flagrante por tráfico e recolhida ao CDP (Centro de Detenção Provisória). De acordo com Batista, que já instaurou inquérito e aguarda os laudos da perícia, a ação pode ter proporções ainda maiores. “Estamos à espera dos laudos acerca dos celulares apreendidos. Se a Justiça entender que se trata de tráfico internacional, todo o caso será encaminhado para a Polícia Federal”, completou.
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