As diversas investigações que tratam da corrupção em curso no País, que vão desde o cartel dos trens em São Paulo e o desvio de verbas oficiais para pagamento de propina a agentes públicos, políticos e partidos, com destaque para o esquema que funcionava na Petrobras, mostram que a grande maioria de nossos representantes, eleitos ou indicados por estes, tem sido beneficiada por esquemas fraudulentos. A fraude da merenda, que vem sendo investigada pelo MP/SP (Ministério Público de São Paulo), está envolvendo nomes que, antes dela, eram considerados acima de qualquer suspeita, como o promotor e deputado estadual Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa paulista, além de políticos tradicionais da região, como os deputados federais Antônio Duarte Nogueira Júnior (PSDB) e Baleia Rossi (PMDB).
É muito grave a situação e quem vem acompanhando a movimentação em torno do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) no Congresso, nem entende a razão de todos os acusados e investigados ainda se manterem tranquilos em seus postos, contando com uma impunidade que atravessa toda a nossa vida republicana e que teve um freio apenas no caso do Mensalão. Eles podem até continuar interferindo na vida do Brasil, tomando decisões capazes de alterar profundamente os rumos do País... De acordo com uma lista apreendida pela Lava Jato com a Odebrecht, há nomes de pelo menos 300 políticos apontados como recebedores de repasses da construtora. Ainda não há certeza de quantos foram legais ou não. Como as delações de implicados no esquema de distribuição de propinas citam outras empreiteiras e políticos, a situação mostra que há muitos que se beneficiaram com dinheiro saqueado da Petrobras e outras obras públicas.
O processo da Lava Jato deixa bastante claro que não é de hoje que dinheiro público alimenta políticos, partidos e outros que se aproximam do centro do poder. É um dinheiro que vem sendo desviado dos brasileiros, que não contam com serviços públicos de qualidade. Cada centavo que encarece uma obra pública é retirado da Saúde Pública, da Educação e da Infraestrutura. O Brasil precisa de administradores e legisladores compromissados com os seus eleitores: eles já ganham muito bem, contam com uma série de benefícios que o trabalhador comum nem sonha e, por isso mesmo, os que têm ganhos incompatíveis com os seus vencimentos merecem perder as mordomias e amargar uma temporada na prisão. É com isto que o brasileiro sonha. Só que o eleitor precisa entender que tem que se interessar e fazer a sua parte, separando o joio do trigo e elegendo quem realmente queira trabalhar por nosso País.
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