Futuro ainda incerto, com ou sem Dilma


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Não há quem hoje, no Brasil, seja capaz de traçar um prognóstico claro para o enfrentamento da crise depois da votação no Congresso que vai definir o futuro do País. Não há qualquer indicativo do que poderá acontecer caso a presidente Dilma Rousseff (PT) tenha o impeachment aprovado ou não. Para alguns especialistas, dificilmente conseguiremos, em curto ou médio prazos, dar um fim a esta crise que afeta produção, empregos e preços. A queda da presidente não é garantia de retomada da economia, hoje estagnada. Sua manutenção no poder também não. Sem credibilidade, incapaz de domar a economia (principalmente quando de trata de contas públicas), Dilma pode ampliar a agonia de seu governo até 2018 sem conseguir apresentar medidas capazes de reverter este quadro negro que nos deixa à beira de uma recessão profunda.
 
O Congresso Nacional pode começar a desenhar a sua decisão final já a partir da próxima semana, quando a comissão do impeachment votar o relatório desfavorável à presidente. Daí para a decisão do plenário da Câmara será um pulo, mas percebe-se que ainda não há uma certeza sobre a decisão final. Enquanto se critica a forma como o Planalto vem lidando com a situação (distribuição a varejo de cargos para impedir a aprovação do processo de afastamento), não se pode deixar de lamentar também a forma como o vice-presidente Michel Temer e seu partido, o PMDB, estão tratando a questão; cargos já estão sendo negociados com aqueles que defendem o afastamento de Dilma Rousseff. É uma forma de fazer política que o País não aceita mais. O brasileiro exige, além da mudança no governo, uma completa modificação dos métodos e da postura de seus políticos.
 
Uma troca pura e simples das peças responsáveis pela condução dos nossos destinos pode reduzir o fôlego da crise, mas não será garantia da sua resolução. É necessário que várias mudanças aconteçam. Além de uma reforma fiscal profunda, espera-se que haja a reforma política capaz de provocar uma verdadeira desidratação da máquina do Estado, com um consequente combate sem tréguas à corrupção. Se não houver um interesse daqueles que conduzirão os nossos destinos a partir do processo de impeachment, incluindo-se aí deputados e senadores, toda a população será frustrada em seus anseios e reivindicações. É preciso coragem, responsabilidade e comprometimento para que o Brasil ressurja renovado a partir da próxima semana. Apenas trocar seis por meia dúzia não é a solução. Esta passa por uma nova postura e uma nova forma de tratar a res publica, encarando o mandato como uma delegação para agir pelo e para o povo. Nada mais do que isto.
 
 
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