Um dos grandes males da humanidade, hoje, é a incidência da diabetes. Trata-se de um inimigo invisível, que afeta crianças e adultos indiscriminadamente, mesmo sendo possível ser evitado ou controlado a partir do momento em que o pâncreas encontra problemas para produzir insulina. Mesmo diante destas possibilidades, prevenção ou controle, os altos índices de glicose no organismo continuam matando. De acordo com relatório divulgado na última quarta-feira pela OMS (Organização Mundial de Saúde), o número de pessoas com diabetes em todo o mundo aumentou quase 300% entre 1980 e 2014, chegando a 422 milhões de adultos. Segundo o documento, a maior parte dos diabéticos vive em países em desenvolvimento. Metade mora em cinco países: China, Índia, Estados Unidos, Indonésia e Brasil.
Um crescimento dramático no número de pessoas com sobrepeso e obesidade é apontado pela OMS como um dos principais fatores causadores do aumento da diabete na população mundial. No relatório, a organização recomenda medidas que incluem a expansão dos ambientes de promoção da saúde para reduzir os fatores de risco, como inatividade física e dietas pouco saudáveis. De acordo com o documento, 108 milhões de pessoas eram diabéticas em 1980, o correspondente a 4,7% da população mundial na época. Em 2014, o número subiu para 422 milhões, abrangendo 8,5% da população do mundo. Somente em 2013 a doença causou a morte de 1,5 milhão de pessoas em 2012 e mais 2,2 milhões morreram em decorrência de taxas de glicose acima do normal, que aumentam o risco de doenças cardiovasculares. O relatório revelou ainda que, de cada três pessoas com mais de 18 anos, uma apresenta sobrepeso.
Trata-se de informações preocupantes, já que não há, pelo menos aqui no Brasil, qualquer iniciativa no sentido de evitar o crescimento da incidência. A adoção de uma dieta mais saudável, se possível evitando o consumo de açúcares e alimentos gordurosos, que deveria ser estimulada nas escolas, não ocorre. Alimentos industrializados, com alto índice de açúcar, sódio, gordura e conservantes continuam sendo vendidos e consumidos dentro das escolas. Do contrário, poderiam ajudar na redução da obesidade infanto-juvenil, uma das principais causadoras do diabetes. Enquanto não houver um esforço comum, envolvendo poder público e sociedade civil para a prevenção, dificilmente seremos capazes de conter o avanço da doença. As ações devem começar dentro de casa, estendendo-se aos estabelecimentos de ensino. O engajamento de todos é fundamental para que possamos evitar que uma doença — que pode ser controlada — continue matando mundo afora.
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