Com 32 anos de carreira e hoje ocupando um cargo na Vigilância Sanitária Estadual, a enfermeira Renata Takaoka fez um desabafo na Câmara Municipal durante a audiência para discutir o atendimento de doentes mentais em Franca, na noite da quinta-feira, dia 7. Em seu discurso de pouco mais de cinco minutos, ela acusou a Prefeitura de Franca de ignorar relatórios apontando problemas na Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino) por cinco anos. A instituição foi interditada na semana passada por oferecer riscos à saúde de 17 mulheres internadas lá.
O desabafo foi feito logo depois do discurso da secretária de Saúde, Rosane Moscardini, que, ao rebater as afirmações feitas pela vereadora Valéria Marson (PSD) sobre as irregularidades na instituição, afirmou ter sido a responsável pela interdição da entidade. “Nós (da secretaria) que fizemos todo o processo. Fomos com o Conselho Municipal Antidrogas lá. A Vigilância do município já tinha transferido as 17 mulheres”, afirmou.
Irritada, Renata pediu para usar a tribuna e rebateu: “Quem fechou a Amafem fui eu porque há cinco anos venho fazendo relatórios e os encaminhado para a Vigilância Sanitária do Município e tudo continuava do mesmo jeito. A Amafem tem problemas há cinco anos e mesmo assim o município continuava mandando pacientes para lá e não fazia auditoria nem inspeções. Isso é um absurdo. Como você compra um serviço e não fiscaliza? Como você compra um serviço que não tem alvará da Vigilância Sanitária?”
A enfermeira classificou a entidade como um depósito de gente. “Gente que come arroz, feijão e abóbora. Arroz, feijão e pescoço de frango”. Ela ainda disse que foi a responsável por acionar a Defesa Civil. “Fui lá com o meu marido, que é médico. Pegamos todos os beliches e, debaixo de chuva, transferimos para a área administrativa. A área administrativa era perfeita. Ali era para atender a psicóloga, a assistente social e as famílias. Mas eles não deixavam as famílias descerem para o alojamento porque aquilo ali era um depósito de gente”.
Ao final de sua fala, a enfermeira disse estar preocupada porque, mesmo sabendo das irregularidades cometidas pela Amafem no atendimento de mulheres com dependência química, a Prefeitura assinou um convênio com a entidade para que ela preste atendimento a crianças. “É uma vergonha. Nós fechamos e o prefeito vai e me faz um convênio com eles na área do serviço social. Se para a saúde a entidade foi fechada como você faz um convênio com a área de serviço social? Isso é um absurdo. Isso é uma falta de respeito”.
Rosane acompanhou todo o discurso de Renata da mesa de autoridades e não rebateu as afirmações. A vereadora Valéria Marson, que na semana passada já havia denunciado o caso envolvendo a Amafem, disse que deve investigar as afirmações feitas por Renata. “Se a prefeitura sabia das irregularidades e nada fez, ela tem que prestar esclarecimento e apontar os responsáveis. Essa situação é inadmissível”.
Ontem Valéria disse que deve protocolar um requerimento pedindo as cópias de todos os relatórios de fiscalizações feitas pela Vigilância Sanitária do Estado nas entidades de Franca. “Quero saber o que foi feito a partir dos apontamentos apresentados pela Vigilância”.
No final da tarde e início da noite de ontem, a Amafem foi procurada para comentar o caso, mas ninguém atendeu ao telefone.
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