O Brasil, nos anos de 2013 e 2014, enfrentou a mais grave crise hídrica dos últimos cinquenta anos.
As precipitações pluviométricas, especialmente na região sudeste, estiveram bem aquém das médias tradicionais, gerando enorme desequilíbrio ecológico, com escassez do mais precioso dos líquidos: a água. O cenário às margens dos lagos das represas de Peixotos e de Furnas, ficou desolador.
Apenas para ilustrar, a travessia de balsa para a cidade de Delfinópolis ficou sensivelmente prejudicada em razão da baixa profundidade das águas. A conhecida ‘Ilha da Broa’, na divisa das cidades de Cássia e Passos, cujo acesso sempre só foi possível por água, passou a ser feito, sem maiores dificuldades, por pedestres e veículos automotores.
Para os mais otimistas como eu, a estimativa foi de pelo menos três anos com chuvas abundantes para o restabelecimento dos níveis anteriores. Os realistas prognosticaram, no mínimo, dez anos. Já para os pessimistas, não ocorreria mais o preenchimento, aos níveis médios anteriores, dos reservatórios.
Porém, bastou um ano de chuvas acima da média para que os lagos retornassem à normalidade. Sim, pois aqueles que há seis meses estiveram às margens das represas de Peixotos e de Furnas e, agora estão retornando em função das boas notícias que recebem, se deparam com cenários totalmente diferente. As surpresas têm sido agradabilíssimas.
Para alguns, a normalidade foi restabelecida em tão pouco tempo graças à força da natureza. Para outros, foi a mão de Deus que sempre age para preservar nosso planeta, o santuário maior colocado por Ele à serviço de suas criaturas.
De qualquer forma, a seca observada em passado recentíssimo deve servir para nos alertar de que os recursos hídricos são finitos. Portanto, se não houver a preservação dos mananciais e o uso consciente da água, as gerações futuras herdarão contas muito altas a serem pagas.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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