Antes mesmo de ser entregue, a nova galeria comercial do Parque Vicente Leporace, construída pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), tem sido alvo de críticas dos comerciantes do bairro. Para parte dos candidatos convocados a ocuparem os boxes do espaço, o valor exigido para a compra do imóvel é considerado inviável diante dos ganhos alcançados com as vendas na avenida Doutor Abrahão Brickmann. Segundo revelado aos comerciantes ontem, 6, durante encontro para apresentação de documentação e normas de funcionamento do local, a CDHU cobrará R$ 470 mensais de financiamento pelo período de 25 anos, por um cômodo de 15 metros quadrados.
Dono de uma bicicletaria instalada há 12 anos no bairro, Melquisedeque Leite de Oliveira disse que ainda não decidiu se assinará o contrato, mas já se manifestou contra o valor da prestação. “Estou analisando os prós e contras, mas posso afirmar que pesa muito no meu orçamento. Imaginava que o valor seria no máximo uns R$ 250”, disse.
Além do valor da prestação, os comerciantes convocados para ocuparem a galeria também reclamam do gasto extra que terão com condomínio, a fim de garantir a limpeza e segurança da área e mais as despesas de água e energia elétrica. “Somando tudo, ficará muito caro, fora dos nossos padrões. A proposta até é boa, mas o preço está exagerado e a construção não atende as nossas necessidades”, disse Fernando César de Almeida Cruz, proprietário de uma desentupidora, lembrando que a renda média dos comerciantes é de R$ 1,5 mil.
Além do preço, há outras queixas. Os comerciantes reclamaram que os banheiros ficam longe dos boxes e abertos para uso do público em geral; não há entrada e saída para carros (apenas uma rampa de acesso) e todos os boxes são do mesmo tamanho, não oferecendo opção para aqueles que necessitam de área maior. “Falaram que essa primeira galeria é para bicicletarias e borracharias, mas como um carro vai conseguir ter acesso ali? Eles (a CDHU) construíram esses boxes sem ouvir a opinião dos comerciantes. Acho que ninguém deveria aceitar”, disse o borracheiro Atenor Gregório, que manifestará sua desistência do boxe à companhia.
Em nota, a CDHU informou que, além dos boxes, o empreendimento conta com banheiros, vestiário e uma praça com equipamentos para ginástica e sua entrega está prevista para o fim do mês. Sobre as queixas referentes ao valor da prestação, a companhia disse que “os valores do financiamento das unidades já são reduzidos, contemplam apenas o custo de produção e juros abaixo do valor de mercado”. Em seguida, o órgão reforçou que “ao término do contrato, os comerciantes serão proprietários do estabelecimento”.
Sobre os critérios adotados para a seleção dos comerciantes, a CDHU disse que foram chamadosoos cadastrados em 2009 e cujas atividades requerem piso térreo, como mecânica, borracharia, entre outras. No mesmo documento, a companhia também voltou a afirmar que a retirada do comércio irregular será efetuada gradativamente e somente após a transferência dos comerciantes para os novos centros comerciais, entre maio e dezembro.
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