Morreu às 7h20 desta quarta-feira, dia 6 de abril, no Hospital São Joaquim/Unimed, a senhora Maria Rita Nogueira Rodrigues Alves, aos 85 anos. Foi internada em 27 de março, após sofrer um AVC em sua casa, mesmo problema enfrentado por ela há três anos. O acidente vascular cerebral de agora lhe tirou a capacidade de expressar-se oralmente, mas continuou lúcida até o dia de seu morte.
“Estive com ela no dia a dia de sua internação”, disse o filho Ismael. “Esteve sempre serena, tranquila, nenhuma oposição ao momento que vivia nem à possibilidade de partir, porque confiava, plena e resolutamente, nos desígnios de Deus’, disse o filho.
Deixou, viúvo, depois de 62 anos de casamento, José Brasil Aguiar Rodrigues Alves. Do enlace, nove filhos (Renato, casado com Maria Isabel; Lélia, casada com Edson Margarido; Miriam, casada com José Giácomo; Susana, casada com Mário Augusto Spessotto Figueiredo; José (Zezito), casado com Luiza Helena; Gizela, casada com José Alexandre Ribeiro; Ângela, Ismael, casado com Mônica; Estevam, casado com Ana Paula), 37 netos e 8 bisnetos. José Brasil e Maria Rita também tutelaram três irmãs órfãs — Maria da Graça, Olímpia e Luzia —, do nascimento até à maioridade e respectivos casamentos. Elas lhes deram mais 10 netos.
“Eles se casaram em 1954. Papai era cafeicultor e trabalhava com compra e venda de café. Mamãe era professora primária. Trabalhou por anos em escolas rurais e, depois, nas escolas ‘Ana Maria Junqueira’ e ‘Mário D’Elia’, onde se aposentou. Religiosos, frequentavam a Catedral Sé de Nossa Senhora da Conceição”, disse Ismael.
Em 1974, José e Maria receberam, em Franca, grupo de evangelizadores da comunidade neo-catecumenal, integrada por um italiano e dois espanhóis. “Junto aos amigos Esméria, Camilo Haddad e Laís, meus pais constituíram o que eu chamo de ‘comunidade neo-catecumenal um’ da Catedral. Tocados pela sabedoria transferida pelo Espírito Santo, tornaram-se catequistas. Formaram, com certeza, o primeiro grupo de catequistas brasileiro. Em 1977, evangelizaram a paróquia de Santa Rita, de Franca. Na sequência, estenderam a missão a todo o Estado de São Paulo. Em 1992, meus pais deixaram tudo da vida material e profissional para dedicarem-se à missão de evangelizar. Viveram a vocação até 2014, época em que mamãe sofreu o primeiro AVC, com redução de suas capacidades físicas”, disse o filho.
“Mamãe não viveu para ela. Viveu para os outros. Quando se casou, teve que assumir uma irmã; logo depois, um irmão. Acolheu avós e um tio por parte de pai. Aí vieram as meninas, que acolheu como filhas. A casa de mamãe sempre esteve aberta a todos”, recordou Ismael.
Brincávamos muito sobre a necessidade de convocarmos, quando ela morresse, vários advogados para gerenciar sua herança, de tão grande que tinha se tornado — cinco vestidos, três pegnoires e dois chinelos! Ela cumpriu exatamente o pedido de Deus, de deixar absolutamente tudo e propagar sua Palavra. Mamãe se foi em absoluta santidade”, disse ele.
A comunidade neo-catecumenal tem hoje, no mundo, cerca de dois milhões de praticantes. “Mamãe, certamente, com sua vocação absoluta e fé, evangelizou algumas centenas desses. Orgulhamo-nos dela, seus irmãos de fé se orgulham dela; Deus, certamente, a recompensará por multiplicar sua Palavra. Estão registrados em minha memória, e para sempre, seus últimos momentos absolutamente fundamentados na fé. Ela não falava mais. Perguntei-lhe se entendia o que eu lhe falava. Disse-lhe para apertar minha mão, se tivesse compreendido. Ela o fez. Depois, não deu mais sinal de vida. Como multiplicadora da Palavra de Deus, confiava plenamente na ressurreição, e assim, seguiu em frente”, concluiu, emocionado.
O corpo está sendo velado no salão Papa Paulo VI, da sede neo-catecumenal de Franca, ao lado do Velório do São Vicente de Paulo. Nesta quarta aconteceu missa de corpo presente, por intenção de sua alma, às 20 horas. Nesta quinta, às 7h30, haverá a oração do Laudes — celebração matinal de todas as paróquias cristãs, em todos os lugares, destinada a consagrar a Deus as atividade do dia e evocar a ressurreição de Cristo. Às 9 horas, será iniciado o rito de sepultamento, com serviços da Funerária Francana, no cemitério da Saudade.
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