O PMDB deixa o governo e orienta filiados a deixar cargos que ocuparam nos diferentes escalões. O governo joga-se de corpo e alma no oferecimento de cargos e liberação de emendas parlamentares em troca de votos que possam livrar a presidente Dilma do impeachment.
Está instalado explicitamente o infame balcão de negócios sustentado pelo dinheiro dos impostos pagos pela população, e que falta na educação, saúde, segurança pública. Pior que, além do governo, noticia-se que o vice-presidente Michel Temer, que deverá assumir o governo se o impeachment acontecer, também oferece cargos por apoio político e congressual.
A opção do que ganha, em lotear o governo com o que perde eleições, adotada na redemocratização dos anos 80, é grande mal à democracia de que tanto a classe política brasileira se orgulha. A gama de negócios escusos que tem vindo à tona é prova disso.
Governantes chegam engessados e dependentes de parlamentares e partidos políticos que não se lembram da pregação feita para a conquista do voto e partem para o toma-lá-dá-cá. Em vez de pugnar pelo avanço da sociedade, colocam a máquina a serviço dos próprios interesses, corrompendo finalidades e metendo a mão no cofre, direta ou indiretamente.
Oxalá o fisiologismo e o interesse de grupos não levem o país e o povo a mais uma derrota. Passada a atual tormenta, independente de quem sobreviva, é preciso trabalhar por uma nova ordem política, onde eleitos cumpram obrigações inerentes a seus postos e não fujam do que prometem em campanha. Não podemos continuar com presidencialismo irresponsável, contaminado por vertentes parlamentaristas, sem conseguir ser nem isso e nem aquilo.
O Brasil precisa definir claramente que tipo de regime de governo. Também, exigir que seus agentes cumpram à risca suas funções com a certeza de que, não o fazendo, sofrerão os rigores da lei. Talvez, a reforma constitucional seja o próximo passo, ou até, uma nova constituinte.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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