Desde o dia 7 de janeiro, data em que os psiquiatras prestaram os últimos atendimentos, o Ambulatório Municipal de Saúde Mental segue sem agendamento de consultas e seus pacientes relatam que não há, por parte do município, nenhuma satisfação ou previsão de retorno das atividades. A situação instalou um clima de insegurança para quem precisa do serviço. “Meu irmão sofre de esquizofrenia e precisa de acompanhamento de psiquiatra constante. Desde que as consultas foram canceladas, mesmo que temporariamente, ele está sem atendimento e não sabemos quando a situação será normalizada”, disse a dona de casa Maria Faria de Souza, de 62 anos.
A falta de encaminhamento e definição de retomada de atendimentos tem gerado insegurança entre os que dependem de acompanhamento. Pacientes relataram que, há alguns dias, médicos que não seriam especialistas na área começaram a prescrever os medicamentos, mesmo sem consultas específicas; apenas com base nos prontuários. “É uma falta de respeito com o próprio ser humano. Eles precisam entender que estão lidando com vidas que dependem de um tratamento médico”, completou o aposentado Nelson Neves, pai de uma das pacientes que aguardam atendimento psiquiátrico.
A auxiliar de limpeza Ana Lúcia dos Reis Matos relata medo de regredir no tratamento que faz há mais de 5 anos. “Tenho crises nervosas e preciso do acompanhamento com o psiquiatra. Fui pesquisar para saber quanto custa uma consulta na rede particular, mas R$ 500 é muito caro para mim”, afirmou.
Por telefone, um atendente do ambulatório que não quis se identificar, disse que médicos estão prescrevendo os medicamentos, mas que não existe previsão de quando psiquiatras voltarão a atender na unidade.
A Prefeitura
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde e com a assessoria de imprensa da Prefeitura, para saber quais medidas estão sendo adotadas para o acolhimento desses pacientes, mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno. A falta de médicos já era prevista pela Secretaria desde o fim de novembro do ano passado, ocasião em que os sete psiquiatras que atendiam no local pediram demissão.
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