As crises política e econômica que dominam o Brasil têm dado voz e espaço a uma série de políticos ditos conservadores, com um discurso de direita que prenuncia o fim de todos os avanços e direitos de minorias conseguidos na última década. Com uma proposta retrógrada, dizendo-se em defesa da família e dos valores morais, este grupo começa a dominar as redes sociais, como ocorre com o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Cumprindo seu sexto mandato na Câmara dos Deputados, o parlamentar foi o mais votado no Rio e já é saudado por seguidores como ‘o futuro presidente do Brasil’. O PT esquerdista é apontado como o grande mal e deve ser extirpado da vida pública brasileira pelos conservadores, que veem no ex-militar Bolsonaro um tipo de salvador da pátria em perigo.
Este grupo utiliza argumentos rasteiros para defender os seus ideais, chegando a pedir a volta dos militares cuja ditadura de duas décadas lançou trevas sobre o Brasil e os brasileiros. Ninguém em sã consciência pode defender um regime que retirou todos os direitos e liberdades civis dos cidadãos e que prendeu, torturou e matou sem dar a mínima chance de defesa. Dizer que na época dos militares não havia corrupção é um argumento rasteiro que não encontra eco diante de um exame mais acurado do período. Como não havia liberdade de imprensa e as instituições viviam sob o pesado controle do Estado, não se podia investigar obras como a ponte Rio-Niterói, a Transamazônica e Itaipu, por exemplo. Políticos enriqueceram, militares também e ninguém foi responsabilizado por desvios que todos sabiam que ocorriam e não eram denunciados. O retorno a esta situação não interessa ao Brasil e muito menos às liberdades duramente reconquistadas, mas apenas aos que pretendem lucrar com isso.
Estamos diante de uma situação histórica. Hoje, independente de partidos ou nomes de peso, a corrupção está sendo investigada, muitos já foram condenados e continuam presos e todos estamos tendo conhecimento das conclusões dos investigadores da Polícia e do Judiciário Federal. Por isso, defender uma volta ao conservadorismo do passado é defender um retorno às trevas das quais o brasileiro busca distância. A Nação encontra-se envolta em problemas e não há, em qualquer cenário que se examine, um salvador da pátria capaz de levar-nos aos trilhos do crescimento de onde saímos por causa de uma condução temerária da política econômica. O Brasil precisa de nomes realmente comprometidos com a estabilidade e o crescimento, acima de qualquer pensamento conservador que se preocupe mais em acabar com as conquistas dos últimos anos do que com os destinos de todos os brasileiros, independente das convicções políticas, da religião ou da orientação sexual.
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