Desperdício amplia a fome no mundo


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Não é de hoje que se alerta para a questão do desperdício, não apenas de alimentos, mas também de água e energia elétrica que podem impactar o futuro do planeta de forma negativa. Agora, dados da FAO (agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) mostram que, em termos de alimentação, a questão torna-se cada dia mais preocupante. De acordo com a entidade, os alimentos desperdiçados na América Latina poderiam alimentar 37% da população que sofre de fome no mundo todo. Atualmente, perde-se cerca de 30% de tudo o que é produzido por todos os países, volume capaz de acabar com a fome no planeta. Na América Latina, são desperdiçados até 348 mil toneladas de alimentos por dia, número que deverá ser reduzido à metade nos próximos 14 anos se a América Latina conseguir alcançar os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). 
 
Os ODS são um conjunto de 17 objetivos e 169 metas destinados a resolver os problemas sociais, econômicos e ambientais que, segundo a ONU, afetarão o mundo no período entre 2015 e 2030. Um destes objetivos é exatamente reduzir pela metade, até 2030, o desperdício mundial de alimentos per capita, tanto na venda a varejo e entre consumidores como nas cadeias de produção e distribuição. A FAO destacou que 36 milhões de pessoas na América Latina poderiam cobrir suas necessidades calóricas só com os alimentos perdidos nos pontos de venda direta aos consumidores. Isto representa um pouco mais do que a população do Peru e mais do que todas as pessoas que sofrem de fome na região.
 
Para que se alcance este resultado, principalmente no Brasil, o maior produtor agrícola da região, será necessário um grande investimento em logística de transportes. Num país de tamanho continental como o nosso, a dependência do transporte rodoviário para levar produtos agropecuários às suas mais diversas regiões é a maior causadora deste desperdício, já que parte da carga se perde pelo caminho, principalmente quando se trata de legumes, verduras e frutas. O que consegue chegar aos mercados também sofre com a degradação, elevando ainda mais o desperdício. Nas casas, as perdas igualmente são altas (os legumes que se estragam na geladeira e as sobras de comida que vão para o lixo), contribuindo para o alto volume que se perde e poderia estar amenizando a fome em diversos pontos do mundo. Enquanto não se investir na melhoria do transporte, na logística e nas condições de nossas estradas, dificilmente será possível que consigamos fazer o alimento produzido chegar a todos os que precisam.
 
 
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